Quinta-feira, 16 de abril de 2026
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Centenas de pessoas se reuniram no sul de Beirute neste domingo (29/03) no funeral dos três jornalistas libaneses mortos por um ataque israelense neste sábado (28/03). A correspondente da Al Mayadeen, Fatima Ftouni, o jornalista da Al-Manar, Ali Sheaib, e o cinegrafista Mohammad Ftouni foram atingidos quando estavam em um automóvel de imprensa identificado.

“Estamos aqui hoje para reafirmar o compromisso da mídia: Israel pode bombardear jornalistas o quanto quiser, mas não pode silenciar nossas vozes”, afirmou o jornalista Hussein Mortada, amigo de Ali Shoeib, durante a cerimônia.

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Em comunicado oficial, o presidente libanês, Joseph Aoun, classificou o ataque como uma violação direta aos direitos humanos e às leis de guerra. “Mais uma vez, a agressão israelense viola as regras mais elementares do direito internacional humanitário, mirando jornalistas, que são civis desempenhando um dever profissional. Este é um crime flagrante”, afirmou.

Dias antes, bombardeios atingiram a sede da Al-Manar e a rádio Al-Nour. Outro ataque, em Beirute, matou o chefe de programas políticos da emissora Mohammed Sherri e sua esposa. Com as mortes dos três jornalistas, sobe para cinco o número de profissionais da imprensa vitimados pelos ataques israelenses no Líbano.

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As Forças de Defesa de Israel divulgaram um vídeo do ataque alegando que tinham como alvo um “terrorista disfarçado de jornalista” e acusando Ali Sheaib de integrar uma unidade de elite do Hezbollah. Não há nenhuma evidência que sustente a alegação, frequentemente usada para justificar o assassinato de profissionais de imprensa.

Jornalistas mortos por ataque israelense são sepultados no Sul do Líbano
Reprodução vídeo / Forças de Defesa de Israel

Reação do Irã

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, condenou o ataque, classificando-o como “uma clara tentativa de assassinar a verdade e silenciar as vozes daqueles que narram a realidade”. Segundo ele, o episódio representa “um sério sinal de alerta para a consciência mundial” e uma “violação flagrante das leis e convenções internacionais relativas à proteção de jornalistas em zonas de conflito”.

Araghchi acrescentou que Israel tem um histórico de ataques contra profissionais da mídia e que “os repetidos assassinatos de jornalistas demonstram claramente a continuidade de uma abordagem hostil destinada a restringir a liberdade de expressão”.

Em meio à escalada, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou a 86ª onda da chamada Operação Verdadeira Promessa 4, dedicada aos jornalistas mortos. Segundo comunicado, a ofensiva foi realizada em múltiplas fases, com ataques coordenados de mísseis e drones por forças aeroespaciais e navais, iniciados ao amanhecer deste domingo (29/03).