Quarta-feira, 15 de abril de 2026
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O acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, mediado pelo Paquistão, não incluiu o Líbano, gerando apreensão imediata na capital libanesa. O temor de novos bombardeios se concretizou às 14h20 (horário local) desta quarta-feira (08/04), quando uma intensa onda de ataques israelenses atingiu o país.

Em apenas 10 minutos, foram registrados 100 bombardeios coordenados e simultâneos. Segundo o Ministério da Saúde libanês, o balanço até o momento é de 254 mortos e cerca de 1.165 feridos.

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A reportagem de Opera Mundi estava a duas quadras da explosão que atingiu o bairro de Bachoura, alvo sem qualquer aviso prévio de evacuação. O cenário foi de pânico e desespero. Uma densa coluna de fumaça se formou enquanto pessoas se atiravam ao chão em busca de proteção. Houve correria entre os que estavam na região, motociclistas em fuga e um fluxo constante de ambulâncias.

No final da tarde, a reportagem esteve no Hospital Libanês de Geitaoui (LHG-UMC), que recebeu grande parte dos feridos. De acordo com a administração, a emergência está sobrecarregada e continua recebendo pacientes transferidos de outras unidades de saúde.

A situação crítica não se limita à capital. No sul do Líbano, onde Israel avança com seu plano de expansão, os ataques são frequentes. Na madrugada desta quarta-feira, por exemplo, oito pessoas morreram no bombardeio a um café na orla de Sidon, a maior cidade da região.

Os alvos israelenses incluem diretamente centros médicos e profissionais de saúde, além de infraestruturas civis como pontes e estradas. Mais de 150 mil pessoas já foram impedidas de deixar a região devido aos danos.

Sobre os ataques desta quarta-feira em Beirute, o porta-voz da ONU, Babar Baloch, destacou o impacto desproporcional sobre as crianças. “Elas representam um terço dos deslocados internos, com dezenas de milhares já vivendo em abrigos em condições cada vez mais precárias”.

Acordo cessar-fogo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na terça-feira (07/04) que estava suspendendo mais uma vez o ataque prometido contra o território do Irã por ao menos duas semanas, com base nas conversas com o primeiro-ministro do Paquistão Shehbaz Sharif e com o general paquistanês Asim Munir.

Trump condicionou a medida a que o Irã “conceda a abertura completa, segura e imediata” do Estreito de Ormuz.

Porém, horas após o anúncio, o gabinete do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu divulgou um comunicado de que aceitava as condições do Irã para o cessar-fogo, mas enfatizou que, para Tel Aviv, esse pacto não incluía o Líbano, embora mediadores paquistaneses tivessem afirmado o contrário.

(*) Com colaboração da Redação de Opera Mundi.