Líbano e Israel iniciam quinta rodada de negociações em Washington para consolidar cessar-fogo
Hezbollah acusa Tel Aviv de 'violação flagrante' do acordo de trégua após ataque em Nabatieh, no sul libanês, em que duas pessoas morreram
A delegação libanesa, representada pela embaixadora Nada Mouawad, chegou a Washington nesta terça-feira (23/06) para a quinta rodada de negociações para um cessar-fogo mediadas pelos Estados Unidos com Israel, chefiada pelo embaixador israelense Yehiel Leiter, de acordo com a Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA).
As últimas conversações seguem-se às negociações entre os EUA e o Irã, que resultaram num acordo de trégua em 19 de junho e na criação de uma “célula de desconflicto do Líbano” encarregada de apoiar os esforços para manter a cessação das operações militares no Líbano.
Nesse sentido, o presidente libanês, Joseph Aoun, e seu homólogo francês, Emmanuel Macron, também discutiram a situação no sul libanês após o cessar-fogo anunciado recentemente.
De acordo com a Presidência libanesa, durante uma conversa telefônica, os dois líderes analisaram os desdobramentos no Líbano e na região em geral. Eles abordaram “a situação no sul após o anúncio do cessar-fogo e as medidas subsequentes”, disse o comunicado.
Ainda foi conversado sobre o futuro da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), cujo mandato atual está prestes a expirar, uma vez que a missão se aproxima do fim de suas operações no país, a partir do início de 2027. Segundo a Presidência, vários países europeus manifestaram o desejo de manter forças na área operacional internacional após a retirada da UNIFIL, uma proposta apoiada por Beirute.

Um morto e dois feridos por disparos israelenses em Nabatieh Al-Fawqa
Foto: NNA
Macron afirmou que consultaria diversos países sobre o assunto e trabalharia para estabelecer “a estrutura necessária para qualquer participação internacional” antes do prazo de saída.
Em contrapartida, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, de extrema-direita, continua declarando que cessar fogo no Líbano é “inaceitável” e que Tel Aviv deve desafiar o presidente Trump.
Respondendo a uma pergunta do veículo de comunicação israelense Arutz Sheva, Ben-Gvir disse que Israel poderia “é claro” rejeitar um recurso de Trump. Sobre o Líbano, ele disse que não deveria haver “cessar-fogo” – “em hipótese alguma”.
Ataques Israel e Hezbollah no sul do Líbano
As forças armadas de Israel afirmam ter realizado um ataque no sul do Líbano contra combatentes que “representavam uma ameaça” para seus soldados de ocupação. Em comunicado, afirmou ter “atacado terroristas armados” que operavam perto de soldados israelenses na área de Ali al-Taher.
Ali al-Taher está localizada na área de Nabatieh al-Fawqa, onde a Agência Nacional de Notícias do Líbano relatou anteriormente que duas pessoas foram mortas por forças israelenses. Dessa forma, as Forças Armadas de Israel afirmaram que “continuarão operando para eliminar ameaças imediatas”.
O grupo Hezbollah classificou o ataque mortal como uma “violação flagrante” do cessar-fogo, que, segundo eles, matou duas pessoas e feriu outras em Nabatieh. O grupo não informou se tomaria medidas retaliatórias contra o exército israelense invasor.
“Os civis estavam trabalhando para desobstruir as estradas e recuperar os corpos dos mártires sob os escombros. A Resistência Islâmica adverte que o que o inimigo fez constitui uma violação flagrante do cessar-fogo, ao qual a Resistência aderiu até o momento”, diz o comunicado.
Segundo a agência de notícias estatal do Líbano, drones israelenses também foram vistos sobrevoando em baixa altitude a capital Beirute e Jezzine.
Diante dos ataques, o Centro de Operações de Emergência do Ministério da Saúde Pública declarou no domingo que o número acumulado de vítimas da agressão entre 2 de março e 21 de junho chegou a 4.106 mártires e 12.153 feridos.
























