Quarta-feira, 13 de maio de 2026
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Representantes libaneses e israelenses se reúnem nesta terça‑feira (14/04) em Washington, sob mediação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para a primeira rodada de negociações diretas de paz entre os dois países em décadas. O momento pode marcar a história do Oriente Médio e abrir caminho o estabelecimento de relações diplomáticas entre Israel e Líbano. No entanto, o clima é de tensão: na véspera, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, pediu o cancelamento do encontro, classificando a iniciativa de “capitulação”.

Pela primeira vez desde os anos 1980 representantes oficiais do Líbano e de Israel estarão frente a frente. Paralelamente, as forças israelenses e o Hezbollah continuam se enfrentando em uma guerra que matou mais de dois mil libaneses, deslocando mais de um milhão de pessoas.

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Nesta primeira rodada de negociações em Washington, Israel será representado pelo embaixador no país, Yechiel Leiter. O Líbano será representado pela embaixadora nos Estados Unidos, Nada Hamadeh Moawad.

A delegação dos Estados Unidos será liderada pelo secretário de Estado Marco Rubio. O grupo ainda conta com a participação do embaixador norte-americano no Líbano, Michel Issa, e o funcionário do Departamento de Estado Mike Needham.

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Segundo fontes citadas pelo portal israelense Ynet, a estratégia do país é “conduzir negociações com o Líbano como se o Hezbollah não existisse e seguir com as operações militares contra o Hezbollah como se não houvesse negociações de paz”.

O foco das conversas é o desarmamento do grupo xiita libanês. Segundo informações apuradas pela RFI, oficiais israelenses têm pouca expectativa de que o governo do Líbano tenha capacidade ou obtenha sucesso prático nesta missão.

Ao mesmo tempo, o regime iraniano, principal aliado do Hezbollah, deixa claro que se opõe a este processo. Ali Akbar Velayati, assessor do líder supremo do Irã, declarou nas redes sociais que o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, “deveria saber que ignorar o papel singular da resistência e do heroico Hezbollah vai expor o Líbano a riscos de segurança irreparáveis”.

“A estabilidade do Líbano depende exclusivamente da coesão entre o governo e a resistência”, declarou Akbar.

Leia | Irã bloqueia petroleiros em Ormuz e sugere fim do acordo após ataques no Líbano, diz agência

Em resposta ao fracasso das negociações entre os Estados Unidos e o Irã em Islamabad, no Paquistão, uma fonte oficial do governo libanês declarou ao jornal Nida al-Watan: “A questão não afetará as negociações diretas entre o Líbano e Israel em Washington”.

Segundo esta fonte, “a presidência do Líbano e o primeiro-ministro libanês conseguiram separar a questão libanesa da iraniana e impediram que seus destinos se entrelaçassem”.

Representantes libaneses e israelenses se reúnem nesta terça‑feira (14/04) em Washington, sob mediação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para a primeira rodada de negociações diretas
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Cessar-fogo é descartado por Israel

O chefe do Estado-Maior do Exército de Israel, Eyal Zamir, garante que não há cessar-fogo no Líbano. O posicionamento é apoiado pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e seu ministro da Defesa, Israel Katz.

As declarações podem ter relação também com questões internas de Israel. A população do norte do país mostra insatisfação com o gerenciamento da guerra pelo governo.

Uma pesquisa realizada com os moradores da cidade de Haifa e dos distritos do norte – aqueles mais afetados pelos confrontos com o Hezbollah – mostra que 70% dão uma nota “ruim” ao governo em relação à guerra. Apenas um quarto faz uma avaliação favorável.

Os moradores do norte do país representam cerca de 25% da população de Israel e seu poder político é estimado em 35 das 120 cadeiras do Knesset, o parlamento israelense.

Ao mesmo tempo, depois de ataques intensos contra o Líbano na última semana, Netanyahu determinou moderação, após sofrer grande pressão internacional, inclusive por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Após a grande destruição causada pelos ataques israelenses em Beirute, com a morte de centenas civis, agora, ao contrário das semanas anteriores da guerra, um ataque contra a capital libanesa requer a aprovação do próprio Netanyahu.

Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, desde a retomada dos combates em 2 de março, os ataques israelenses mataram 2.055 pessoas, incluindo 167 desde a última sexta-feira. Enquanto, doze soldados israelenses e dois civis foram mortos pelo Hezbollah no mesmo período, segundo as autoridades israelenses.

Violência contra palestinos na Cisjordânia

Durante a guerra contra o Irã, colonos israelenses mataram a tiros seis palestinos na região. Outros cinco foram mortos por soldados.

A organização de direitos humanos israelense Yesh Din (“Há lei”, em hebraico) documenta esses casos e monitora crimes com motivação ideológica cometidos por israelenses contra palestinos na Cisjordânia.

Segundo a organização, entre 2005 e 2025, 93,6% dos inquéritos abertos pela polícia israelense para investigar atos de violência cometidos por colonos israelenses foram encerrados sem indiciamento.

Entre 2016 e 2024, foram registradas 2.427 denúncias de crimes cometidos por soldados contra palestinos ou suas propriedades na Cisjordânia. Deste total, apenas 552 investigações (22,7%) foram abertas e 23 acusações (0,9%) foram formalizadas.