O presidente do Líbano, Joseph Aoun, classificou como uma “perigosa escalada” os novos ataques israelenses contra a região de Nabatieh, no sul do país, e pediu uma intervenção internacional imediata para interromper as operações. Os bombardeios registrados neste domingo (06/09) atingiram instalações públicas e de saúde, em meio à deterioração do cessar-fogo entre Israel e Hezbollah.
Segundo o Ministério da Saúde libanês, quatro pessoas morreram e ao menos 20 ficaram feridas nos ataques deste domingo. Entre os mortos estão duas mulheres, atingidas em Arab Salim, ao norte da área ocupada por tropas israelenses. Outras duas vítimas morreram em Nabatieh al-Fawqa, informou a agência turca Anadolu Ajansı.
“Esta é uma perigosa escalada que ultrapassa as repetidas violações do acordo de cessação das hostilidades e do acordo-quadro (ou acordo básico), atingindo instituições do Estado libanês e suas instalações de serviço, além de hospitais e centros de saúde”, disse Aoun. Um acordo-quadro, nas relações internacionais, é um tratado que define as regras gerais, os objetivos e o formato institucional de cooperação entre países ou organizações.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que o Exército iniciou os ataques depois que o Hezbollah lançou dois drones contra soldados israelenses que operam na região da colina de Ali al-Taher, onde Tel Aviv afirma ter estabelecido uma zona de segurança.
Segundo as IDF, nenhum militar ficou ferido. Até o momento, não há confirmação do Hezbollah sobre o ataque contra soldados israelenses que Israel atribuiu ao grupo.
Antes de um dos ataques, os militares israelenses divulgaram um aviso para que moradores de Arab Salim deixassem a área próxima a um edifício que seria alvo da operação. A orientação determinava que os civis se afastassem pelo menos 300 metros do imóvel. Foi o segundo aviso desse tipo emitido por Israel desde o cessar-fogo de junho, segundo o jornal Times of Israel.
Os ataques também atingiram um prédio que Israel afirma ter sido utilizado pelo Hezbollah como centro de comando e que anteriormente funcionava como hospital. Autoridades libanesas relataram ainda danos contra instalações do Ministério das Finanças. Aoun afirmou que os ataques passaram a atingir diretamente instituições do Estado e estruturas destinadas ao atendimento da população.
No comunicado da Presidência libanesa, Aoun responsabilizou Israel pela escalada e pediu que a comunidade internacional, especialmente os países envolvidos na mediação do acordo, intervenha para interromper os ataques. O presidente também reiterou a defesa da soberania e da integridade territorial do Líbano.
A nova ofensiva ocorre poucos dias após Israel anunciar o controle operacional da colina de Ali al-Taher, posição estratégica ao norte do rio Litani. A região permanece como um dos principais pontos de tensão entre Israel e Hezbollah mesmo após o cessar-fogo negociado com mediação dos Estados Unidos.
Na sexta-feira (04/09), ataques israelenses já haviam matado quatro pessoas e deixado outras 23 feridas, segundo autoridades libanesas. A sequência de operações mantém a região sul do país sob forte tensão, enquanto seguem os esforços diplomáticos para consolidar o cessar-fogo e definir a retirada das forças israelenses.