Presidente libanês aceita acordo de cessar-fogo com Israel após três meses de ataques diários
Joseph Aoun disse que iniciativas de paz são bem-vinda e rejeitou 'interferência em assuntos internos' do Líbano; ministro israelense declarou que Exército não se retirará do sul do país
O presidente libanês Joseph Aoun afirmou que o Líbano acolhe favoravelmente as iniciativas internacionais para pôr fim à guerra com Israel, mas não aceitará interferências nos seus assuntos internos, enfatizando a soberania e que “ninguém negocia em nosso nome”.
Em discurso perante uma delegação da Liga Greco-Católica, ele declarou que o Estado, e não as seitas religiosas, é responsável por proteger todo o povo libanês e que a construção de uma nação forte e unificada continua sendo a principal prioridade.
“A competição política é legítima, mas não deve obstruir o progresso do Estado”, afirmou. Durante as negociações com os EUA, o Irã exigiu que Israel cesse seus ataques mortais e se retire do sul do Líbano, devastado pela guerra, em apoio ao seu aliado Hezbollah.
Segundo a página da Presidência libanesa, Aoun recebeu uma ligação telefônica do vice-presidente dos EUA, JD Vance, do principal conselheiro do presidente norte-americano Jared Kushner e do primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani.
A conversa abordou a questão de consolidar a trégua no Líbano, deter a escalada militar israelense e as medidas que devem ser tomadas nesse sentido. Dessa forma, o presidente libanês discutiu a possibilidade de criar um comitê para supervisionar a trégua no país.

Presidente da República do Líbano, general Joseph Aoun
Foto: NNA
Em contrapartida, o Ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que Tel Aviv não tem intenção de retirar suas forças da zona de segurança no sul do Líbano, em sua conta no Twitter.
“Israel não tem intenção de se retirar de Beaufort [um castelo medieval localizado perto da cidade de Nabatiye], que é parte integrante da zona de segurança no Líbano e essencial para a defesa dos assentamentos da Galileia e das forças do exército israelense”, disse.
O incidente ocorreu em meio aos ataques israelenses contra o Líbano na semana passada, que deixaram mortos e feridos, apesar do acordo alcançado no memorando assinado por Teerã e Washington. Israel argumenta que sua ofensiva contra o país árabe visa criar uma zona de segurança e enfraquecer o movimento xiita libanês Hezbollah para evitar ataques em seu território.
Segundo a agência de notícias estatal libanesa, drones israelenses foram vistos sobrevoando em baixa altitude a capital, Beirute, Al-Baisariyeh e vilarejos vizinhos no sul do Líbano. Segundo o Centro de Operações de Emergência do Ministério da Saúde Pública, o número acumulado de vítimas da agressão entre 2 de março e 21 de junho chegou a 4.106 mártires e 12.153 feridos.
























