Presidente libanês critica ocupação israelense: 'não contribui para concretização do cessar-fogo'
Ataques de Israel contra sul do Líbano violam acordo de trégua e deixam quatro mortos; Joseh Aoun declara que 'não há lugar para guerra civil'
O presidente libanês, Joseph Aoun, afirma que a contínua “ocupação israelense impede o destacamento do exército e não contribui para a concretização dos nossos objetivos e dos de Washington”.
Aoun fez essas declarações enquanto os ataques aéreos israelenses continuavam no sul do Líbano nesta segunda-feira (06/07), matando pelo menos quatro pessoas, incluindo um casal. “Não há lugar para guerra civil no Líbano, apesar de algumas tentativas de incitar conflitos”, acrescentou.
Apesar das partes terem chegado a um acordo de cessar-fogo, mediado pelos Estados Unidos, em 26 de junho, o Exército israelense ainda não se retirou das aldeias, o Exército libanês ainda não se mobilizou e o Hezbollah ainda não se comprometeu com o acordo.
Nesse sentido, as Forças Armadas de Israel afirmam que suas tropas assumiram o “controle operacional total” da vila de Haddatha, no sul do Líbano, descrevendo-a como parte da “zona de segurança”. O anúncio surge em meio ao frágil cessar-fogo entre Israel e o Líbano, apoiado pelos EUA.
Segundo o portal de notícias israelense Arutz Sheva, o Exército afirmou que a vila é um importante centro de atividades do Hezbollah e destruiu mais de 90 “instalações de infraestrutura e posições de tiro” no local. De acordo com as informações, mais de 20 combatentes da Resistência Islâmica foram mortos durante o ataque.
No entanto, a Agência de Notícias libanesa (NNA) disse que as forças israelenses cometeram um massacre horrível na segunda-feira, deixando quatro pessoas mortas depois que um drone inimigo atingiu um Jeep Cherokee na estrada em Nabatieh El Faouqa.

Drone israelense lança duas bombas de som sobre Nabatieh al-Fawqa
Foto: NNA
Equipes de resgate da Cruz Vermelha Libanesa, da Associação Islâmica de Escoteiros Risala, da Autoridade Islâmica de Saúde, da Defesa Civil e do Beit al-Taleb transferiram os corpos para hospitais em Nabatieh.
A NNA também informou que um drone israelense sobrevoou a capital Beirute, a região de Zahrani e as aldeias vizinhas em baixa altitude na manhã desta segunda-feira (06/07). Além disso, também aconteceram bombardeios aéreos contra a cidade de Kfar Tebnit, no distrito de Nabatieh
As forças israelenses demoliram várias casas em Aitaroun, enquanto drones de reconhecimento israelenses foram visto sobrevoando os subúrbios do sul de Beirute. Durante a noite, também realizaram uma operação de demolição em Houla.
Os militares de Tel Aviv também bombardearam casas na cidade de Qounine, no distrito de Bint Jbeil, no sul do Líbano, informou a Agência Nacional de Notícias. Seu correspondente disse que o Exército israelense atacou casas de civis na cidade — essa é uma tática que Israel tem adotado para impedir que as pessoas retornem aos suas residências.
Mais de 1,6 milhão de pessoas foram deslocadas depois que Israel iniciou seu ataque aéreo e invasão terrestre do sul do Líbano em 2 de março. Centenas de milhares tentaram retornar à região.
Como resultado da escalada, o Ministério da Saúde do Líbano informou que o número de mortos em decorrência dos contínuos ataques israelenses ao país subiu para 4.319, com mais de 12.203 feridos. Os números, divulgados pela Agência Nacional de Notícias oficial do país, abrangem o período de 2 de março a 6 de julho.
























