Trump promete 'ajudar muito' Beirute para paz com Israel após encontro com Aoun
Presidente dos EUA afirmou que investigará tiroteio israelense contra tropas libanesas e disse estar disposto a conversar com Hezbollah
O presidente dos EUA, Donald Trump, em conversa com seu homólogo libanês, Joseph Aoun, afirmou que Israel está atualmente “redistribuindo” suas tropas para outras áreas do sul do Líbano, no segundo dia da planejada retirada israelense das chamadas “zonas piloto” no país.
Após o Exército libanês afirmar nesta terça-feira (21/07) que as forças israelenses abriram fogo contra elas enquanto se deslocavam para as zonas-piloto, Trump disse que “investigaria o assunto”.
No entanto, não foram fornecidos detalhes ou um cronograma sobre a retirada das tropas de Tel Aviv no sul libanês.
Durante a coletiva de imprensa no Salão Oval, o presidente dos EUA disse que Washington “ajudará muito o Líbano”, acrescentando que colaborará para que Beirute seja “tratado adequadamente e com respeito”.
Trump ainda afirmou que Washington tinha “planos claros” para apoiar as Forças Armadas Libanesas (LAF) e ajudaria Beirute a enfrentar muitos de seus desafios de longa data, acrescentando que as negociações incluíam a fase piloto do pacto no sul do Líbano e o destacamento do exército para áreas das quais se espera que as forças israelenses se retirem.
Dessa forma, Aoun instou Trump a manter o apoio dos EUA ao Exército libanês, descrevendo-o como “o pilar da estabilidade” no país e afirmando ter solicitado apoio político contínuo de Washington.
وصول رئيس الجمهورية العماد جوزاف عون إلى البيت الأبيض للقاء الرئيس الأميركي دونالد ترامب pic.twitter.com/7xmcuPUXZt
— Lebanese Presidency (@LBpresidency) July 21, 2026
Apesar das constantes declarações do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e seu governo de não se retirar do Líbano, o chefe de Estado libanês ainda elogiou o acordo-quadro mediado pelos EUA e assinado com Israel. Aoun disse a Trump que o acordo “será o seu legado… juntos, seremos capazes de alcançar esse objetivo”.
“Gostaria de agradecer ao Presidente Trump e à sua equipe pela conquista histórica que alcançamos juntos… a assinatura do acordo-quadro com o objetivo final de pôr fim ao estado de hostilidade entre o Líbano e Israel para sempre”, disse Aoun, segundo uma publicação nas redes sociais, conforme relatado por Zeina Khodr, da Al Jazeera.
Além disso, também relatou que “já é hora de o Líbano e toda a região alcançarem estabilidade e segurança, e sei que sua visão é de paz e estabilidade. Compartilho dessa visão e, juntos, podemos atingir esse objetivo.”
Um repórter libanês perguntou a Trump que tipo de apoio concreto ele poderia oferecer a Aoun durante a visita. O presidente dos EUA respondeu: “Você vai descobrir”.
Aoun também reafirmou o compromisso do Líbano com o acordo-quadro com Israel, dizendo que seu “objetivo final” era encerrar as hostilidades entre os dois países permanentemente.
O chefe de Estado libanês também declarou que o presidente do Parlamento, Nabih Berri, deseja o fim da guerra e apoia os esforços do governo para alcançar esse objetivo.
Observando que o acordo-quadro “não exige a aprovação do parlamento”, Aoun disse que Berri, o político eleito do Shai mais poderoso do país, é do Sul e “apoia o que ele está fazendo”.
“Posso afirmar que o Presidente da Câmara, Berri, é um homem de Estado”, acrescentou, “e apoia o fim do estado de hostilidade, o fim da guerra para todos”.
Intervenção síria para desarmar Hezbollah
Trump reiterou sua sugestão de que a Síria deveria intervir militarmente no Líbano para ajudar a desarmar o Hezbollah – uma proposta que tem sido repetidamente rejeitada pelas autoridades sírias.
A Resistência Islâmica e o atual governo de Damasco, liderado pelo presidente Ahmed al-Sharaa, lutaram em lados opostos da guerra civil síria. O grupo libanês apoiava o antigo governo do presidente Bashar al-Assad, e al-Sharaa era um comandante rebelde que, no início da guerra, liderou a filial da Al-Qaeda no país.
Nesse sentido, Trump aproveitou a coletiva para expressar mais uma vez sua admiração por al-Sharaa. “Ele uniu a Síria. Ele gostaria de entrar e fazer algo com o Hezbollah. Sabe, eles estão em guerra. Ele luta contra o Hezbollah há muito tempo. Acho que seria muito eficaz. Então é algo em que penso”, disse ele.
Por sua vez, o republicano declarou estar aberto a conversar diretamente com o Hezbollah: “Eu converso com todo mundo”, disse.
“Eu diria o seguinte: se o presidente quisesse que eu falasse com o Hezbollah – você sabe, ele convive com o Hezbollah há muito tempo – e se o presidente quisesse que eu falasse com o Hezbollah, eu falaria”, acrescentou Trump, referindo-se a Aoun, que anteriormente serviu como o principal general do Líbano.
O grupo libanês tem sido bastante crítico da decisão de Aoun de se envolver em negociações diretas com Israel, bem como da estrutura na qual o Líbano concordou em não buscar responsabilização por abusos israelenses em tribunais internacionais e nas Nações Unidas.
Por sua vez, Aoun acusou o Hezbollah de arrastar o Líbano para a guerra em nome do Irã, enfatizando que as forças armadas libanesas devem ser a única força armada do país.
Voos diretos entre Líbano e Estados Unidos
O presidente dos EUA também anunciou a retomada dos voos diretos entre o Líbano e os Estados Unidos durante a coletiva de imprensa conjunta com o presidente libanês, Joseph Aoun.
Os voos diretos entre os dois países estavam suspensos desde 1985, quando Washington interrompeu as ligações aéreas após o sequestro do voo 847 da TWA e em meio a preocupações com a segurança durante a guerra civil libanesa.
A medida pode representar uma mudança significativa nas relações bilaterais após mais de quatro décadas de suspensão das ligações aéreas. Essa é a primeira visita de Aoun a Washington, além de ser a primeira de um presidente libanês desde 2009.
A mídia libanesa havia relatado anteriormente que as discussões sobre a reabertura das ligações aéreas diretas refletiam a crescente confiança dos EUA nas instituições de segurança do Líbano, particularmente naquelas responsáveis pela proteção do Aeroporto Internacional Rafik Hariri, em Beirute.
Qualquer retomada dos serviços ainda exigiria extensas avaliações técnicas e de segurança por parte dos EUA, incluindo revisões da infraestrutura aeroportuária, procedimentos de triagem, sistemas de segurança da aviação e cooperação entre as autoridades libanesas e estadunidenses.























