Sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
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A Al Jazeera condenou a plataforma de vídeos YouTube pela cumplicidade à mais recente legislação aprovada por Israel, que proíbe as operações da rede catari em solo nacional. No início desta semana, o ministro das Comunicações israelense, Shlomo Karahi, ordenou que empresas de radiodifusão e internet bloqueassem o acesso aos sites e canais do veículo catari e da rede libanesa Al Mayadeen por 90 dias no país. Ambos têm se dedicado à cobertura do genocídio na Palestina.

Em comunicado emitido na quinta-feira (29/01), a Al Jazeera denunciou que a nova medida restritiva escancara a forma pela qual as grandes empresas de tecnologia podem ser “cooptadas como instrumentos de regimes hostis à liberdade”.

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De acordo com o veículo, a submissão do YouTube ficou evidente na quarta-feira (28/01), quando as transmissões ao vivo de Al Jazeera Arabic, Al Jazeera English e Al Jazeera Mubasher foram bloqueadas pelo YouTube em Israel.

A rede catari logo denunciou o YouTube de ter descumprido os princípios estabelecidos pelas Nações Unidas (ONU) sobre Negócios e Direitos Humanos. “Esses princípios determinam que as empresas globais de tecnologia garantam a liberdade de expressão e resistam às pressões governamentais que levam à ocultação da verdade e ao silenciamento do jornalismo independente”, afirmou em nota.

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A Al Jazeera também exigiu que o YouTube e outras empresas digitais suspendessem imediatamente a medida de censura promovida pelo regime sionista. Apelou ainda para que organizações de liberdade de imprensa e direitos humanos pelo mundo se unam na condenação do ataque israelense.

“A rede enfatiza que essa escalada faz parte de um padrão mais amplo e sistemático de violações israelenses, incluindo o assassinato e detenção de seus jornalistas e o fechamento de seus escritórios nos territórios ocupados, com o objetivo de suprimir a verdade”, acrescentou.

Israel ordenou que empresas de radiodifusão e internet bloqueiem o acesso aos sites e canais dos veículos Al Jazeera e Al Mayadeen por 90 dias
IRNA /via Fotos Publicas

Desde a intensificação do genocídio, em 7 de outubro de 2023, o governo de Israel matou mais de 270 profissionais da imprensa, entre eles jornalistas e cinegrafistas. Funcionários da Al Jazeera também foram assassinados, incluindo o correspondente Anas al-Sharif. Al-Sharif, de 28 anos, foi morto em agosto junto com outros três colegas durante um ataque israelense a uma tenda que abrigava profissionais de mídia na Cidade de Gaza.

Em maio de 2024, o Parlamento do Knesset aprovou uma lei de emergência, conhecida como Lei da Al Jazeera, que permite o fechamento temporário de emissoras estrangeiras consideradas uma “ameaça à segurança nacional”. Em dezembro daquele ano, o Knesset logo aprovou que a restrição, até então provisória, se estendesse por mais dois anos. A legislação concede ao ministro das Comunicações e ao primeiro-ministro o poder de fechar canais estrangeiros e confiscar seus respectivos equipamentos sem ordem judicial.

As forças israelenses já chegaram a invadir escritórios da Al Jazeera na cidade ocupada de Ramallah, na Cisjordânia, retirando aparelhos e documentos, além de fechar o escritório da rede.