Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou seu apoio à criação de um Estado palestino, enquanto o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu rejeitou novamente tal medida, durante a primeira visita do líder alemão ao país.

“A nossa convicção é que a possível criação de um Estado palestino ao lado de Israel oferece, presumivelmente, a melhor perspectiva para esse futuro”, afirmou o chanceler alemão em uma coletiva de imprensa conjunta realizada neste domingo (07/12). Mas ele acrescentou que seu governo não tinha intenção de reconhecer um Estado palestino “em um futuro próximo”.

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“O governo federal alemão mantém a opinião de que o reconhecimento de um Estado palestino deve ocorrer no final – e não no início – de tal processo (negociações de paz)”, disse ele, colocando a Alemanha em desacordo com várias outras nações europeias importantes, incluindo França, Espanha e Reino Unido, que já confirmaram o reconhecimento formal.

Por sua vez, o premiê sionista Netanyahu afirmou que a opinião pública israelense se opunha a qualquer solução de dois Estados e que a anexação política da Cisjordânia ocupada – uma preocupação levantada por Merz e também rejeitada pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – continuava sendo um tema de discussão, embora se esperasse que o status quo se mantivesse num futuro próximo.

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O primeiro-ministro israelense acrescentou que a primeira fase do plano de Trump para Gaza estava quase concluída e que teria “conversas muito importantes” no final de dezembro sobre como garantir que a segunda fase fosse concretizada. Ele acrescentou que também se encontraria com o líder da Casa Branca ainda este mês.

Chanceler Merz reafirma que apoio a Tel Aviv está 'no DNA' do país, que exportou US$ 152 milhões em armas em 2024, mesmo após genocídio em Gaza que já matou mais de 70.300

Chanceler Merz reafirma que apoio a Tel Aviv está ‘no DNA’ do país, que exportou US$ 152 milhões em armas em 2024, mesmo após genocídio em Gaza que já matou mais de 70.300
@netanyahu / x

Vendas de armas

Durante uma reunião em Jerusalém com o presidente Isaac Herzog, o chanceler Friedrich Merz declarou no sábado (06/12) que a Alemanha “apoia firmemente” Israel, apesar de as relações terem ficado tensas meses atrás.

Merz disse a Herzog que “está no nosso DNA apoiar Israel”, observando que o apoio a Tel Aviv é um “núcleo essencial e imutável” da política alemã, mesmo com os ataques israelenses em Gaza continuando em violação do cessar-fogo e a Alemanha sendo um dos países europeus que vivenciaram protestos pró-Palestina em massa, que incluíram cenas de forte repressão policial.

O chanceler afirmou à imprensa que “as ações militares e as ações do governo [israelense] nos colocaram em um dilema”, após o que afirmou: “Tenham certeza de que continuaremos ao seu lado. Israel tem o direito de se defender e de existir.”

Sob pressão internacional devido à cumplicidade no genocídio em Gaza, em agosto o chanceler alemã anunciou a suspensão das exportações de armas que Israel poderia usar na Faixa, mas a medida foi suspensa no final de novembro.

Em resposta, o presidente israelense agradeceu a visita e destacou o “papel fundamental da Alemanha como um dos países mais importantes do mundo”.

A Alemanha, embora muito atrás dos Estados Unidos, é o segundo maior exportador de armas para Israel, incluindo fragatas, torpedos, submarinos, veículos blindados e armas antitanque. Em 2024, Berlim exportou mais de US$ 152 milhões (R$ 826 milhões) em armas para Israel. Um ano antes, o valor era de cerca de US$ 380 milhões (R$ 2 bilhões).

A escalada militar israelense, iniciada em outubro de 2023, deixou mais de 70.300 mortos e 171.030 feridos em Gaza. Desde que o cessar-fogo entrou em vigor em 10 de outubro, pelo menos 367 habitantes de Gaza, incluindo mais de 70 crianças, foram mortos em ataques israelenses na Faixa de Gaza. Pelo menos 590 violações da trégua por forças israelenses foram relatadas.