Alvo do TPI por crimes de guerra, Netanyahu integra ‘Conselho da Paz’ para Gaza
Órgão presidido pelos EUA, parte da segunda fase do cessar-fogo violado pelo regime sionista, fala em supervisionar reconstrução do território devastado por Israel
Apesar de ser alvo de um mandado de prisão pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos ao longo do genocídio na Palestina, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aceitou o convite de seu maior aliado, o presidente norte-americano Donald Trump, para integrar o chamado “Conselho da Paz”, conforme foi anunciado pelo seu gabinete nesta quarta-feira (21/01).
Prime Minister’s Office announcement:
Prime Minister Benjamin Netanyahu has announced that he accepts the invitation of US President Donald Trump and will become a member of the Board of Peace, which is to be comprised of world leaders.
— Prime Minister of Israel (@IsraeliPM) January 21, 2026
O conselho presidido pelo mandatário dos Estados Unidos faz parte da segunda fase do acordo de cessar-fogo com o Hamas – violado diversas vezes pelo governo israelense desde a sua implementação, em outubro passado – e tem como alegado objetivo supervisionar, inicialmente, a reconstrução da Faixa de Gaza – depois de destruída também pelo próprio regime sionista.
Várias lideranças mundiais foram convidadas a integrar o órgão, que Trump prevê supervisionar “o fortalecimento de capacidades de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital” no enclave.
Contudo, a minuta do “estatuto” não menciona de forma explícita o território palestino, detalhe que preocupa algumas autoridades. Países que já rechaçaram o convite são França, Noruega e Suécia. Enquanto isso, Brasil “ainda segue analisando” a proposta, conforme fontes do Planalto informam Opera Mundi. Nações que já aceitaram são: Israel, Argentina, Azerbaijão, Bielorrússia, Egito, Hungria, Cazaquistão, Marrocos, Emirados Árabes Unidos e Vietnã.
De acordo com a emissora Al Jazeera, os palestinos que residem no enclave interpretam que o único interesse de Netanyahu na segunda fase do cessar-fogo é, na realidade, o desarmamento do Hamas. Anteriormente, o gabinete do premiê israelense havia rejeitado o conselho dizendo ser “contrário à sua política”, porém, sem argumentar suas objeções.
Por sua vez, membros da extrema direita da coligação governamental de Israel, como o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, haviam criticado Netanyahu por não ter anexado o território palestino, muito menos assumido uma responsabilidade unilateral para o futuro de Gaza. Smotrich defendeu que o premiê deveria “estabelecer um governo militar lá, para incentivar a imigração e o assentamento, e dessa forma garantir a segurança de Israel por muitos anos”.
Enquanto isso, o Exército de Israel admitiu nesta quarta-feira que suas forças atiraram e mataram cidadãos no sul da Faixa de Gaza na noite passada, alegando ter se tratado de uma medida protetiva no cruzamento da “linha restrita”. Já segundo a agência Wafa, dois palestinos foram feridos em ataques israelenses no leste de Khan Younis, enquanto outra vítima ficou ferida a leste da área de Juhor ad-Dik, nordeste do campo de refugiados de Bureij, no centro de Gaza.
Mais de 480 palestinos, incluindo pelo menos 169 crianças e 64 mulheres, foram assassinados desde o início do cessar-fogo, conforme as recentes atualizações do Ministério da Saúde de Gaza.























