Sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
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Palestrantes convidados para participarem do Festival de Adelaide anunciaram nesta sexta-feira (09/01) um boicote ao evento literário após a exclusão da escritora palestina-australiana Randa Abdel-Fattah da programação oficial.

Segundo o diário britânico The Guardian, em matéria publicada nesta sexta-feira (09/01), 47 escritores e outros artistas foram parte do boicote realizado após a decisão tomada pela organização.

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Entre os palestrantes que abandonaram o Festival estão as escritoras Helen Garner, Chloe Hooper e Sarah Krasnostein, a vencedora do prêmio Miles Franklin, Michelle de Kretser, as autoras Drusilla Modjeska e Melissa Lucashenko, juntamente com a poeta premiada pelo Stella Award, Evelyn Araluen.

A organização do festival esclareceu que o motivo por trás da exclusão da escritora palestina foi a preocupação com a sensibilidade cultural, em decorrência do ataque terrorista em Bondi.

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Ademais, após o boicote de mais de 50% de palestrantes, os organizadores decidiram retirar parte do seu site oficial do ar.

“Respeitando os desejos dos escritores que recentemente manifestaram sua desistência da programação da Semana dos Escritores de 2026, suspendemos temporariamente a publicação da lista de participantes e eventos enquanto trabalhamos nas alterações do site”, publicou o Festival.

Cerca de 50 participantes anunciaram boicote à semana literária
randaabdelfattah

Entretanto, Abdel-Fattah acusou a diretoria do festival de racismo anti-palestino “descarado e vergonhoso” além de censura. A escritora afirmou que a tentativa da diretoria de associá-la ao massacre de Bondi era “desprezível”.

“O Conselho do Festival de Escritores de Adelaide me despojou da minha humanidade e da minha autonomia, reduzindo-me a um objeto no qual outros podem projetar seus medos e difamações racistas”, disse ela na declaração.

De acordo com Abdel-Fattah, a presença de uma palestina no festival ilustraria uma presença ‘culturalmente insensível’; que eu, uma palestina que não teve nada a ver com a atrocidade de Bondi, sou de alguma forma um gatilho para aqueles que estão de luto e que, portanto, devo ser persona non grata nos círculos culturais porque a minha própria presença como palestino é ameaçadora e ‘insegura’.”

Em sua declaração, a escritora criticou as instituições artísticas e culturais australianas em geral, acusando-as de demonstrarem “total desprezo e desumanidade para com os palestinos” desde outubro de 2023.

“Os únicos palestinos que eles tolerarão são os silenciosos e invisíveis”, disse ela.

Com informações do The Guardian.