Austrália: advogados pedem investigação judicial contra presidente de Israel
Grupos de direitos humanos rechaçam visita de Isaac Herzog ao país, afirmando que o chefe de Estado é responsável pela morte de milhares de palestinos em Gaza
O Centro Australiano para a Justiça Internacional (ACIJ), a Al-Haq e o Centro Al Mezan para os Direitos Humanos, que são grupos jurídicos, solicitaram nesta sexta-feira (23/01) formalmente à Polícia Federal Australiana (AFP) que investigue o presidente israelense Isaac Herzog por seu papel em supostos crimes de guerra, diante dos relatos de sua possível visita a Austrália no início de fevereiro.
As organizações escreveram para “alertar urgentemente” a AFP sobre suas preocupações “à luz de alegações criminais sérias e críveis de incitação ao genocídio e defesa do genocídio” feitas pelo presidente Isaac Herzog durante o “ataque militar” de Israel em Gaza desde 7 de outubro de 2023.
Os grupos anexaram um documento de 10 páginas detalhando as alegações contra Herzog, bem como as obrigações da Austrália perante o direito internacional e sua própria legislação nacional.
“Nos casos em que conclusões internacionais credíveis indicam incitamento ao genocídio e em que não houve responsabilização interna, a Austrália tem tanto a autoridade legal quanto a responsabilidade de agir”, disse Rawan Arraf, diretora executiva da ACIJ, em comunicado.
📣 Al-Haq and partners demand Australia’s Federal Police to investigate Israeli President Isaac Herzog for incitement to genocide.
🔴 Head of State immunity should not be applied to allegations of international crimes. #EndIsraeliImpunity https://t.co/jQk51EKoc4— Al-Haq الحق (@alhaq_org) January 22, 2026
A diretora também afirmou que o governo australiano estaria demonstrando um “desrespeito flagrante” por suas obrigações legais internacionais “ao permitir que Herzog entrasse na Austrália sem uma investigação da Polícia Federal Australiana (AFP)”.
Shawan Jabarin, diretor-geral da Al-Haq, observou que Herzog afirmou que “não há civis inocentes em Gaza” e que era chefe de Estado quando Israel matou 23.000 crianças e 1.000 bebês “antes de completarem um ano de idade” em Gaza.
Segundo o jornal The Times of Israel, Herzog deverá visitar Sydney no dia 7 de fevereiro, a convite do primeiro-ministro australiano Anthony Albanese, a convite do primeiro-ministro australiano Anthony Albanese, para uma visita marcada pelo ataque terrorista de dezembro na praia de Bondi, que matou 15 pessoas em uma celebração judaica.
Albanese disse a repórteres em dezembro que o governo australiano havia estendido um convite a Herzog “para homenagear e lembrar as vítimas do ataque terrorista antissemita em Bondi e fornecer apoio aos judeus australianos e à comunidade judaica australiana neste momento”.
O parlamento federal da Austrália introduziu novas e rigorosas leis de reforma do controle de armas após o ataque, bem como reformas no combate ao discurso de ódio, que suscitaram preocupações entre ativistas em relação a algumas disposições de grande alcance.























