Campanha global #FreeMarwan pressiona Israel a libertar Barghouti
Presença do líder palestino é apontada como essencial para ‘traçar o caminho rumo ao Estado palestino'
A campanha global pela libertação de Marwan Barghouti, o líder mais popular do povo palestino, ganhou as redes e os muros de Londres nas últimas semanas, visando pressionar Israel, em meio à próxima fase de negociações sobre Gaza e o futuro político palestino.
Sob a hashtag #FreeMarwan nas redes sociais e no site FreeMarwan.org, a campanha afirma que a libertação do líder palestino é fundamental para paz na região e que nenhuma negociação sustentável poderá ocorrer sem a sua presença.
“Marwan precisa ser libertado para liderar, construindo sobre o cessar-fogo em Gaza para ajudar a traçar um caminho rumo a um Estado palestino e uma paz justa”, diz a campanha, em texto publicado nas redes sociais.
A campanha destaca que ter sido um golpe a permanência de Barghouti na prisão, após a soltura de 2 mil prisioneiros palestinos acordada na primeira fase do cessar-fogo, em Gaza. “Até os últimos instantes, havia esperança de que o nome de Marwan fosse incluído, mas Netanyahu e seu governo extremista se recusaram”, aponta o texto.
A campanha
A iniciativa foi lançada pela família de Barghouti, que vive na Cisjordânia ocupada, e conta com apoio de organizações britânicas da sociedade civil e do coletivo artístico global Creative Debuts. Murais com os dizeres “Libertem Marwan”, coordenados pelo fundador do coletivo, Calum Hall, estão sendo colados em Londres, desde a semana passada.
Uma instalação de arte também foi inaugurada em Kobar, aldeia natal de Barghouti, na Cisjordânia; e os organizadores já anunciaram, para esta semana, uma carta assinada por personalidades políticas e culturais pressionando pela libertação do líder palestino.
Sua esposa, Fadwa Barghouti, declarou ao The Times of Israel, que Barghouti representa “um futuro de paz e estabilidade” e reiterou que ele continua comprometido com uma solução negociada de dois Estados, com base nas fronteiras de 1967.
Barghouti detêm legitimidade entre diferentes grupos políticos. Dentro da prisão, ele chegou a mediar tensões entre Hamas e Fatah, e a ser eleito para a liderança do Fatah in absentia.
No site, a campanha pede para que cidadãos do mundo inteiro pressionem seus parlamentares a se juntarem ao apelo pela libertação do líder palestino, oferecendo uma declaração pronta para ser assinada e encaminhada ao governo israelense.

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Campanha #freemarwan
Mais popular
Os organizadores afirmam que o apoio público a Barghouti tem se mantido forte, com repetidas pesquisas de opinião mostrando que ele é o político palestino mais popular, tanto em Gaza quanto na Cisjordânia ocupada.
Líder sênior do partido Fatah e defensor de longa data da solução de dois Estados, Barghouti foi preso em 2002, após ser condenado em um julgamento denunciado como irregular pela União Interparlamentar. Ele é considerado o “Mandela palestino”, e o próprio Mandela afirmou, naquele ano: “o que está acontecendo com Barghouti é exatamente o mesmo que aconteceu comigo”.
A Fundação Ahmed Kathrada — que lançou uma campanha semelhante em 2013 a partir da antiga cela de Nelson Mandela em Robben Island — aderiu ao esforço. Neste fim de semana, manifestantes se reuniram diante da estátua de Mandela, em Pretória, segurando fotos de Barghouti e pedindo sua libertação.
O grupo internacional The Elders, também criado por Mandela, havia exigido sua libertação imediata, pedindo ao presidente norte-americano, Donald Trump e a líderes mundiais, que fizessem ‘todo o possível’ pela soltura do líder palestino para garantir ‘paz duradoura na região’.
No mês passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse à revista Time que considerava pressionar por sua libertação. Como informa o Haaretz, mediadores árabes levantaram a possibilidade de soltura junto ao governo isralense, mas os pedidos foram descartados.























