Quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
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O comediante israelense e ex-combatente, Guy Hochman, foi detido e interrogado por seis horas enquanto viajava para o Canadá na segunda-feira (19/01), após que um grupo jurídico de defesa dos direitos humanos e da causa palestina apresentasse uma queixa contra ele, acusando-o de crimes de guerra e “incitação ao genocídio”.

Hochman foi detido ao chegar ao Aeroporto Internacional Pearson de Toronto e só foi libertado após a intervenção do consulado israelense, segundo o Times of Israel. Sua detenção ocorreu depois que a Fundação Hind Rajab, um grupo com sede na Bélgica que busca responsabilizar militares israelenses por crimes de guerra e crimes contra a humanidade em Gaza, apresentou um dossiê de 40 páginas sobre ele às autoridades canadenses. Os grupos Canadian Lawyers for International Human Rights e Legal Centre for Palestine também se juntaram à denúncia.

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O dossiê do grupo, que inclui diversas fotos e vídeos que o próprio Hochman publicou nas redes sociais, acusa Hochman de “incitação clara, repetida e pública ao genocídio” contra os palestinos em Gaza, em declarações feitas tanto durante o período em que trabalhou com os militares israelenses quanto durante apresentações e transmissões online.

Conforme descrito no dossiê, Hochman pediu o “assassinato em massa e o extermínio” de palestinos, defendeu o uso de armas nucleares contra Gaza, celebrou mortes de civis e pediu a fome, o deslocamento e a punição coletiva de palestinos, entre outras declarações. Ele também pediu a destruição de locais religiosos, chegando a afirmar que “nenhuma mesquita permanecerá em Gaza”.

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O documento de acusação também sustentava que Hochman havia “se envolvido em apologia política explícita”, pedido o bloqueio de caminhões de ajuda humanitária para Gaza e produzido conteúdo “promovendo narrativas de retaliação”.

“Embora se apresente internacionalmente como comediante, grande parte de seu conteúdo recente ultrapassou os limites da sátira, usando o humor para desumanizar palestinos, árabes, muçulmanos e manifestantes pró-Palestina, e para normalizar a punição coletiva”, afirmou a Fundação.

Guy Hochman produziu diversos vídeos, por ele apresentados como satíricos, durante o período em que atuou como soldado na ofensiva israelense em Gaza. Entre eles, um “Blog de Viagem em Gaza”, filmado em uma casa palestina abandonada na Faixa de Gaza. Enquanto caminhava entre os escombros do local, as palavras “Hotel Gush Katif”, uma referência aos antigos assentamentos israelenses no enclave, apareceram em um grafite na parede, que Hochman chamou de “o logotipo dos novos proprietários”.

Pressão para cancelar apresentação em NY

Na terça-feira (20/01), a Fundação Hind Rajab também apresentou uma queixa, instando as autoridades norte-americanas a investigarem e processarem o comediante, que tinha uma apresentação marcada para a noite de terça-feira em Nova York.

O grupo argumentou que a apresentação agendada “representa um risco iminente de novas condutas criminosas” e observou que, além do direito internacional, a conduta de Hochman poderia violar leis penais federais dos EUA, incluindo a Lei de Crimes de Guerra e a lei sobre genocídio.

Por sua vez, a polícia de Nova York (NYPD) nega ter cancelado o show. “No fim, o local decidiu cancelar o show”, disse um porta-voz da polícia de Nova York ao The Times of Israel.

Sua turnê tem sido alvo de protestos de ativistas pró-Palestina que planejam interromper seus shows e se mobilizar em frente aos seus próximos eventos no Texas e na Califórnia.