Catar e Turquia afirmam que cessar-fogo na Faixa de Gaza está em 'momento crítico'
Enquanto líderes alertam para colapso do frágil acordo de trégua, declaração conjunta rejeita violações israelenses e pede ação internacional 'urgente'
O primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, alertou no Fórum de Doha neste sábado (06/12) que o cessar-fogo em Gaza está em um “momento crítico” e pode desmoronar sem um movimento rápido em direção a um acordo de paz permanente, enquanto o ministro das Relações Exteriores da Turquia também advertiu que o processo pode perder força.
Ele acrescentou que um cessar-fogo “não pode ser concluído a menos que haja uma retirada completa” das forças israelenses do território, juntamente com estabilidade restaurada e liberdade de movimento para os palestinos, nenhum dos quais aconteceu.
O principal diplomata da Turquia, Hakan Fidan, concordou dizendo que sem a intervenção oportuna dos Estados Unidos, o processo de paz corre o risco de paralisar completamente. Fidan declarou que altos funcionários da Casa Branca “precisam intervir de maneira oportuna para que possamos entrar na segunda fase, caso contrário podemos perder o ímpeto”, afirmando que o Hamas cumpriu amplamente suas obrigações sobre a devolução dos corpos.
Desde que o acordo de cessar-fogo foi implementado em 10 de outubro, Israel cometeu cerca de 600 violações. Neste sábado (06) três palestinos foram mortos na mais recente ofensiva sionista na cidade norte de Beit Lahiya. Ao todo, as forças israelenses executaram ao menos 360 civis.

Primeiro-ministro cari e chanceler turco pediram avanços urgentes para a próxima fase, enquanto aumentam as violações do cessar-fogo em Gaza
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Fidan revelou que vários países de maioria muçulmana, dispostos a enviar tropas para a força internacional de estabilização proposta para Gaza, agora endossada pelo Conselho de Segurança da ONU, querem que a Turquia contribua com tropas, mas o governo de Israel se opõe. “O Sr. Netanyahu não esconde que ele abertamente não quer ver tropas turcas lá”.
Espen Barth Eide, ministro das Relações Exteriores da Noruega, foi além e insistiu que a força e um conselho de paz internacional ”devem ser formados este mês”. Declarando que o plano da administração Trump contém ambiguidades de sequenciamento que permitem “a cada um dos lados procrastinar em fazer suas partes necessárias” até que o outro cumpra suas obrigações primeiro.
O ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, propôs implantar a força internacional ao longo da chamada linha amarela de Gaza imediatamente para verificar o cumprimento do cessar-fogo, denunciando que “Israel está violando o cessar-fogo todos os dias e alegando que o outro lado é quem está violando”.
Em outro momento, segundo a emissora catari Al Jazeera, Badr se reuniu com o premiê do Catar e ambos os países pediram a formação acelerada da força de paz internacional para Gaza.
O apelo ocorreu quando oito nações de maioria muçulmana, incluindo Egito e Catar – ambos mediadores-chave do cessar-fogo – emitiram uma declaração conjunta condenando o plano de Israel de abrir o cruzamento de fronteira de Rafah exclusivamente para saídas palestinas.
A segunda fase do cessar-fogo – que exige uma força internacional de estabilização (ISF), um governo palestino soberano, o fim da resistência armada e a retirada total das forças de ocupação – ainda não começou.
























