Sexta-feira, 6 de março de 2026
APOIE
Menu

O acordo de cessar-fogo alcançado pelo governo de Israel e o Hamas entrou em vigor na Faixa de Gaza neste domingo (19/01). Entretanto, a trégua não iniciou no horário previsto devido a um atraso do grupo palestino na entrega da lista com os nomes dos primeiros reféns israelenses a serem libertados. Durante o atraso de três horas, o exército israelense matou pelo menos 19 palestinos e feriu outros 36, de acordo com a Defesa Civil local.

A confirmação do início da primeira fase do cessar-fogo foi anunciada pelo Catar, um dos países mediadores do tratado, por volta das 6h30 pelo horário de Brasília.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

“Confirmamos que os nomes das três reféns que devem ser libertadas hoje foram repassadas a Israel. Assim, o cessar-fogo começou”, afirmou o ministro das Relações Exteriores do país, Majed Al-Ansari, em comunicado. Segundo o governo catari, as três pessoas a serem libertadas são cidadãs israelenses, entre as quais uma tem a nacionalidade romena e outra britânica.

Em troca, Israel designou 95 prisioneiros palestinos para deixar as prisões israelenses, sendo a maioria deles mulheres e crianças que foram detidas durante as operações militares no enclave.

Mais lidas

Israel culpou o Hamas pelo atraso na entrega e voltou a ameaçar a continuar seus ataques em Gaza, acrescentando que a trégua não começaria enquanto o grupo não enviasse a lista com o nome dos primeiros reféns. Nesse meio tempo, a Defesa Civil do enclave registrou ao menos oito fatalidades em bombardeios israelenses.

O Hamas reconheceu a demora em comunicado, disse estar comprometido com o acordo e explicou que o atraso ocorreu devido a problemas técnicos e à continuidade das agressões israelenses na Faixa de Gaza. 

Nos primeiros momentos após o início do cessar-fogo, quando os palestinos começaram a voltar para suas casas, jatos e artilharia israelenses passaram a atacar várias áreas do enclave. Os serviços de emergência locais contabilizaram 36 feridos.

RS/Fotos Públicas
Palestinos em Gaza comemoram o cessar fogo entre Hamas e Israel

Retorno às casas

De acordo com o portal Middle East Eye (MEE), celebrações eclodiram em Gaza no primeiro dia em que o acordo de cessar-fogo foi implementado na região, enquanto combatentes pertencentes à Brigada Qassam, braço militar do Hamas, também desfilaram nas ruas. Desde 7 de outubro de 2023 até este domingo, pelo menos 46.913 palestinos foram mortos e 110.750 ficaram feridos em ataques israelenses, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.

A primeira fase do acordo ratificado na sexta-feira (17/01) pelo governo de Israel determina o retorno de palestinos deslocados às suas residências e a entrada de 600 caminhões de ajuda humanitária por dia em Gaza. Por isso, neste domingo, milhares de pessoas que foram obrigadas a deixar suas casas para se abrigar em campos de refugiados, ao longo da guerra, pegaram a estrada “de caminhão, carroça de burro e a pé” para retornar, segundo o MEE. As movimentações se concentraram principalmente em Jabalia, no norte, e em Rafah e Khan Younis, no sul. 

À agência Reuters, fontes egípcias afirmaram que, no primeiro momento, aproximadamente 200 caminhões de ajuda humanitária, incluindo 20 que transportam combustível, começaram a circular na passagem de Kerem Shalom.

Ainda durante esta primeira fase, que tem a duração de seis semanas, serão libertados 33 reféns israelenses mantidos pelo Hamas no enclave em troca de até 1.904 prisioneiros palestinos detidos em prisões israelenses, contemplando a libertação de alguns membros do Hamas, da Jihad Islâmica e do movimento Fatah da Autoridade Palestina, juntamente com mulheres e crianças.

(*) Com RFI