Com Blair, Erdogan e Milei, Trump anuncia 'Conselho de Paz' para Gaza
Maioria dos nomes indicados são pró Israel, já defenderam a remoção de palestinos do enclave e atacaram o movimento BDS
O presidente argentino, Javier Milei, confirmou neste sábado (17/01) que recebeu um convite de seu homólogo americano, Donald Trump, para que seu país se junte ao Conselho de Paz de Gaza, uma organização criada pelo líder da Casa Branca com o declarado objetivo de garantir a segurança e a reconstrução no enclave palestino.
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“A Argentina sempre estará ao lado dos países que combatem o terrorismo de frente, que defendem a vida e a propriedade e que promovem a paz e a liberdade. É uma honra para nós nos unirmos a vocês em tão grande responsabilidade”, escreveu o líder libertário em sua conta no X, anexando a carta-convite assinada pelo líder norte-americano, que convidou o país sul-americano a participar como membro fundador da organização.
Além de Milei, o governo dos EUA convidou o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, para integrar o Conselho da Paz. O convite à Turquia foi confirmado pelo diretor de comunicações do presidente Erdogan, Burhanettin Duran, em uma publicação no X, na qual transcreveu a carta de Trump.
“Em 16 de janeiro de 2026, o presidente dos EUA, Donald Trump, na qualidade de presidente fundador do Conselho da Paz, enviou uma carta convidando o nosso presidente, Sr. Recep Tayyip Erdoğan, a tornar-se membro fundador do Conselho da Paz”, escreveu.
Perfil dos Membros: Um conselho dominado por apoiadores de Israel
A Casa Branca apresentou o conselho executivo que supervisionaria a administração de transição de Gaza. A composição, no entanto, é dominada por apoiadores fervorosos de Israel, levantando dúvidas sobre sua imparcialidade e sobre os reais objetivos do ‘Conselho da Paz’.
Presidido pelo próprio presidente dos EUA, Donald Trump, o Conselho da Paz, ou Conselho Executivo fundador, inclui figuras-chave que têm apoiado consistentemente as políticas e os objetivos militares de Israel.

Núcleo duro do conselho é formado por aliados pessoais de Trump e pró Israel
Fotos Públicas/Molly Riley
Tony Blair
O ex-primeiro-ministro britânico carrega um longo histórico na região, marcado pela invasão do Iraque em 2003 e sua controversa passagem como enviado de paz do Quarteto.
Durante seu tempo como enviado, Blair aliou-se aos EUA e a Israel para boicotar o Hamas após as eleições de 2006, uma decisão que ele mais tarde admitiu que foi um erro da comunidade internacional e que deveria ter tentado envolvê-los em diálogo.
Seu instituto enfrentou escrutínio por receber financiamento de doadores ligados a assentamentos israelenses.
Marco Rubio
O Secretário de Estado Marco Rubio é considerado uma figura política fundamental da linha-dura dos EUA. Ele ficou famoso por enquadrar a guerra em Gaza como uma batalha entre “civilização e barbárie” e por afirmar que o Hamas “deve ser erradicado”.
Durante seu mandato no Senado, ele foi o autor da Lei de Combate ao BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), uma legislação pioneira projetada para punir americanos que boicotam Israel, que críticos argumentaram violar a liberdade de expressão.
Rubio rejeitou explicitamente o consenso internacional sobre a Cisjordânia, afirmando em registro que “Israel não é um ocupante” e argumentando que os territórios são “disputados” e não ocupados.
Jared Kushner
Investidor, ex-conselheiro sênior da Casa Branca e genro de Trump, Kushner foi o autor do polêmico “Acordo do Século”, um plano que excluiu uma solução de dois estados e propôs a anexação de assentamentos ilegais na Cisjordânia.
Kushner, um judeu ortodoxo, foi instrumental nos Acordos de Abraão de 2020, um movimento amplamente visto pelos palestinos como uma traição ao consenso árabe sobre a soberania nacional.
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Em fevereiro de 2024, ele sugeriu que a “propriedade à beira-mar de Gaza poderia ser muito valiosa” e propôs que Israel deveria “tirar as pessoas de lá” para o deserto de Negev para “limpar” a faixa. Ele acrescentou que “simplesmente arrasaria algo no Negev” para abrigar palestinos deslocados para que Israel pudesse “terminar o trabalho”.
Aryeh Lightstone
Um empresário e rabino, Lightstone esteve fortemente envolvido na criação e no avanço da Gaza Humanitarian Foundation (Fundação Humanitária de Gaza). Assessor sênior de David Friedman – um firme defensor do movimento de colonos de Israel quando este foi embaixador dos EUA em Israel durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump –, Lightstone é agora um confidente próximo e assistente do enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff.
Lightstone também é um crítico severo da ONU.
Marc Rowan
Um dos financistas mais ricos de Wall Street, o judeu Marc Rowan de 63 anos é CEO da Apollo Global Management. Rowan, que se descreveu como ‘apoiador orgulhoso de Israel’ segundo o Middle East Eye.
Rowan está no conselho da escola de negócios Wharton da Universidade da Pensilvânia e é um dos principais doadores da universidade. Após 7 de outubro de 2023, Rowan ficou indignado com o que percebeu como a falha da universidade em reconhecer a dor causada pelo ataque a Israel. Conforme os protestos pró-Palestina se espalhavam pelos campi universitários dos EUA, Rowan os denunciou de forma reveladora: “Não é antissemitismo. É antiamericanismo”.
Josh Gruenbaum
Josh Gruenbaum foi elevado a um cargo sênior de assessoria sobre Gaza, apesar de não ter ou ter muito pouco histórico em política externa ou segurança nacional.
Gruenbaum, que cresceu em um lar judeu ortodoxo, ganhou destaque na administração por liderar a repressão financeira a universidades americanas por ativismo pró-Palestina. Ele pessoalmente assinou cartas ameaçando rescindir contratos federais com Harvard e Columbia, declarando que “fazer negócios com o governo federal é um privilégio” e acusando as instituições de não coibir o discurso “antissionista”.
Steve Witkoff
Um bilionário investidor imobiliário judeu-americano e um dos amigos mais próximos de Donald Trump, Witkoff foi nomeado Enviado Especial para o Oriente Médio, apesar de não ter experiência diplomática anterior.
Sua proposta de cessar-fogo foi totalmente coordenada com Israel e evita explicitamente garantir o fim da guerra de Israel contra Gaza.





















