Sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
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Nenhum dos países fundadores do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) aceitou o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao chamado “Conselho da Paz”, que prevê supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza após os ataques perpetrados por Israel desde outubro de 2023.

No grupo, a China foi o único país que oficialmente recusou a participação na proposta norte-americana. Na quarta-feira (21/01), Pequim disse que seguirá defendendo a ordem internacional baseada nas Nações Unidas.

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“Não importa como muda a situação internacional, a China defende firmemente o sistema internacional com as Nações Unidas em seu centro, uma ordem internacional baseada nos objetivos e princípios da Carta da ONU”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun. Após a posição, autoridades chinesas não fizeram mais declarações sobre o “Conselho da Paz”.

Já Brasil, África do Sul, Índia e Rússia ainda não deram uma resposta oficial. No caso brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva consultou a Autoridade Palestina (AP) sobre o plano de Trump para Gaza. Segundo uma nota do Palácio do Planalto, em uma ligação com Mahmoud Abbas, ambos “trocaram impressões sobre o plano de paz em curso e acordaram continuar mantendo contato sobre o tema”. Contudo, a posição oficial brasileira ainda permanece indefinida.

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Na quinta-feira (22/01), o principal assessor internacional do Lula, Celso Amorim, disse que o Brasil não deve aceitar, nos moldes atuais, a proposta de Trump para aderir ao Conselho da Paz. Em entrevista ao jornal O Globo, o diplomata disse que “as coisas não estão claras” sobre o convite, especialmente porque a iniciativa não é resultado de uma resolução da ONU.

Amorim acrescentou que “a própria carta [do conselho proposto por Trump] é confusa, porque começa a falar de uma coisa e depois vai alargando no documento anexo”. Ele explicou que a palavra “Gaza” não é mencionada no documento, referindo-se assim a qualquer conflito.

Um possível rechaço brasileiro se dá, principalmente, porque “Trump disse não aceitar emendas”. “Não é possível discutir, ajustar aqui ou ali. É um contrato de adesão”, afirmou Amorim.

Por sua vez, a Rússia também não confirmou se irá aderir ao organismo. No entanto, o presidente russo, Vladimir Putin, se reuniu nesta quinta-feira com o líder da Autoridade Palestina e prometeu destinar US$ 1 bi (cerca de R$ 5 bilhões) em ativos congelados pelos EUA para reconstrução de Gaza.

No caso da Índia, a situação é semelhante. Segundo o jornal local Indian Times, nenhum representante do governo indiano esteve presente na cerimônia de oficialização do organismo, realizada na manhã de quinta-feira, no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.

Sem apresentar nenhuma posição oficial, é possível que Nova Délhi esteja “de olho nas posições tomadas por parceiros importantes”, como França e Rússia. Segundo o periódico, também há a preocupação de que a proposta de Trump “mine as Nações Unidas” e que Trump “presida o órgão indefinidamente”.

Presidente Lula consultou Autoridade Palestina (AP) sobre plano de Trump para Gaza
Ricardo Stuckert / PR

Por outro lado, partidos indianos de esquerda escreveram uma declaração conjunta ao primeiro-ministro, Narendra Modi, pedindo que não aceite o convite norte-americano. “A participação da Índia em tal Conselho, que não respeita os direitos palestinos, constituiria uma grave traição à causa palestina”, afirmaram o Partido Comunista da Índia (Marxista), o Partido Comunista da Índia (CPI), o Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista) de Libertação, o Partido Socialista Revolucionário (RSP) e o Bloco de Vanguarda de Toda a Índia (AIFB).

Já a África do Sul, em embates diplomáticos com os EUA, não recebeu o convite para participar da proposta. Este também foi o caso da Etiópia e do Irã — país que Washington vem proferindo ameaças e alimentando tensões.

Países do BRICS que aceitaram

Apenas países que aderiram ao BRICS recentemente — Arábia Saudita, Egito e Emirados Árabes Unidos, em 2024, e Indonésia, em 2025, — aceitaram o convite dos EUA.

“O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Faisal bin Farhan Al Saud, assinou a carta do Conselho da Paz, na presença do Presidente dos EUA, Donald J. Trump, juntamente com líderes e representantes de vários países que saudaram o estabelecimento do Conselho”, informou o Ministério das Relações Exteriores da Árabia Saudita na última quinta-feira.

No caso do Egito, a Presidência do país informou que o mandatário, Abdel Fattah al-Sisi, “saudou a iniciativa” de Trump e “expressou apoio” à proposta. “O presidente destacou o papel fundamental de Trump em pôr fim à guerra na Faixa de Gaza e iniciar a implementação da segunda fase do acordo”, informou o comunicado oficial.

O país, que atuou como mediador no conflito juntamente com os EUA e o Catar, afirmou sua “disposição em dedicar todos os esforços necessários para garantir a plena implementação do acordo”, além de “enfatizar a importância de iniciar imediatamente os esforços de recuperação para a reconstrução da Faixa de Gaza e  aumentar a assistência humanitária”.

Já os Emirados Árabes Unidos aceitaram o convite de Trump na terça-feira (20/01). A decisão do xeque Mohammed bin Zayed Al Nahyan foi anunciada pelo Ministério das Relações Exteriores do país.

Por fim, a Indonésia anunciou, também na quinta-feira, que seu presidente Prabowo Subianto “assinou a Carta do Conselho da Paz em Davos, na Suíça”. “Esta assinatura marca o início do Conselho de Paz como um órgão internacional para supervisionar a transição, a estabilização e a reconstrução da Faixa de Gaza pós-conflito”, afirmou o comunicado.

(*) Com Brasil247, Brasil de Fato, informações de Peoples Dispatch e UOL.