O Alto Representante do “Conselho de Paz” do Presidente dos EUA, Donald Trump, alertou que o não cumprimento do roteiro para a paz em Gaza, proposto pelo grupo, poderá levar ao colapso do frágil cessar-fogo na região e ao início de uma nova guerra. Nickolay Mladenov, ex-membro do Parlamento europeu, fez esses comentários em uma entrevista exclusiva à Al Jazeera.
Mladenov declarou à emissora catari nesta sexta-feira (28/08) que “não existe alternativa melhor ao plano atual” para a Faixa de Gaza e alertou que um retorno à guerra seria devastador. O chefe do Conselho de Paz disse que seu alerta sobre o potencial colapso do cessar-fogo era dirigido tanto ao lado palestino quanto ao israelense.
Além disso, ele também acrescentou que as negociações com Tel Aviv sobre o aumento da entrada de ajuda humanitária em Gaza já estão progredindo bem.
O alto representante também afirmou que o mecanismo e os locais para o destacamento da Força Internacional de Estabilização em Gaza já foram definidos, e que se espera que seus elementos de vanguarda cheguem ao enclave em breve.
Em comentários adicionais, Mladenov afirmou que US$ 7 bilhões foram prometidos para a reconstrução da Faixa de Gaza e expressou a esperança de que o Comitê Nacional assuma em breve suas responsabilidades no enclave.
Ele também disse à Al Jazeera que havia sido alcançado um acordo para que Marrocos participasse da força, mas a Turquia não participaria. Contudo, ele acrescentou que Ancara, assim como o Catar e o Egito, desempenharam um papel importante no avanço do acordo com o Hamas.
O Conselho da Paz informou na última segunda-feira (03/08) que a retirada das tropas israelenses no território palestino apenas deverá ocorrer após o desarmamento completo do Hamas.

Alto representante do ‘Conselho da Paz’ para Gaza, Nickolay Mladenov
Foto: nmladenov / X
O projeto, que faz parte da segunda fase do acordo de cessar-fogo, já foi aprovado na semana passada, inclusive pelo Hamas. No entanto, ele foi alterado após o diretor do Conselho, Nikolay Mladenov, o conselheiro sênior Aryeh Lightstone e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu se reunirem em Jerusalém para discutir o assunto.
O encontro também ocorreu enquanto políticos israelenses de extrema direita criticavam o documento anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou como um “marco histórico”.
Conforme o Times of Israel, após a reunião, o Conselho da Paz “pareceu mudar suas condições para que as Forças de Defesa de Israel se retirassem de Gaza”, já que a proposta inicial “esperava que Israel recuasse para a Linha Amarela sob os termos de um acordo para desarmar o Hamas”.
“O objetivo é claro e não está em questão: o desarmamento completo das armas na Faixa de Gaza e a transição do governo armado para a governança civil”, acrescentou Mladenov.
A reunião inaugural do “Conselho de Paz” — idealizado por Trump — começou em fevereiro com mais de 40 países, e o presidente afirmou que, com o plano de paz implementado em outubro, “a guerra acabou”, exceto por “pequenas chamas” em referência às violações israelenses.
Apesar da ampla participação, aliados como Reino Unido, Alemanha e França recusaram o convite — por razões como financiamento e mandato pouco definidos, risco de rivalizar com a ONU e falta de representação palestina —, assim como México, Brasil e Vaticano.
Em redes sociais, Trump apontou que os países signatários se comprometeram a fornecer mais de US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 26 bilhões) para isso. Ou seja, uma fração dos US$ 70 bilhões (R$ 366 bilhões) que são estimados necessários para reconstruir o território palestino.