Quarta-feira, 4 de março de 2026
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Matéria atualizada às 08h28 de 09/09

O corpo de Waleed Ahmad, de 17 anos, morador da vila palestina de Silwad, na Cisjordânia, e cidadão brasileiro, segue sob custódia das autoridades israelenses. O jovem morreu na Prisão de Megiddo em março após sofrer de desnutrição severa. Khaled, pai do adolescente, disse ao jornal de Tel Aviv Haaretz que as autoridades brasileiras estavam pressionando o governo para liberar o corpo.

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Apesar da autópsia não determinar a causa da morte, o relatório oficial afirma que, além de sofrer de desnutrição grave, também estava com sarna e uma infecção intestinal que se espalhou e provavelmente levou à parada cardíaca e ao colapso.

“Já se passaram cinco meses e sete dias desde sua morte, e eles ainda estão segurando seu corpo”, disse o pai do adolescente. Ahmad, que estava detido havia cerca de seis meses no momento de sua morte, havia sido acusado de lançar um coquetel molotov.

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A investigação sobre sua morte está em andamento desde março. Uma fonte disse ao Haaretz que não há mais necessidade de reter o corpo de Ahmad como parte da investigação, mas as autoridades têm discordado sobre qual decisão aprovará sua liberação.

O relatório afirma que ele sofreu perda de tecido adiposo e que sua massa corporal se enquadra na definição de “baixo peso doentio”. A perda extrema de peso nos meses anteriores à sua morte poderia ter levado à falência de seu sistema imunológico.

Reprodução/FEPALO brasileiro-palestino Walid Khaled Abdallah, de 17 anos, assassinado na prisão israelense de Meggido

Reprodução/FEPAL
O brasileiro-palestino Walid Khaled Abdallah, de 17 anos, assassinado na prisão israelense de Meggido

Sobre a liberação do corpo de Ahmad, a polícia afirmou que o Haaretz deveria contatar o Ministério da Defesa para obter comentários. O Ministério da Defesa encaminhou o Haaretz às Forças de Defesa de Israel (IDF) e ao serviço de segurança Shin Bet. O Haaretz apurou que o Shin Bet nunca foi solicitado a emitir sua opinião profissional sobre a liberação do corpo, e as Forças de Defesa de Israel (IDF) ainda não responderam para obter comentários.

Em resposta ao veículo israelense, a Polícia de Israel disse em um comunicado que “o caso ainda está sob investigação” e se recusou a fornecer detalhes.

Em resposta a consulta feita pela reportagem de Opera Mundi, o Itamaraty afirmou que o Ministério das Relações Exteriores, por intermédio do Escritório de Representação do Brasil em Ramala, teve conhecimento do fato em março de 2025, e desde então acompanha seus desdobramentos, em contato com a família, a quem presta assistência consular, e com as autoridades locais.

Em relação ao corpo continuar retido, o Itamaraty não respondeu.

Precariedade nas prisões israelenses

Segundo o Haaretz, vários prisioneiros na Prisão de Megido, no norte de Israel, sofriam de uma doença intestinal durante o mesmo período, o que os levou a ficarem abaixo do peso. Um dos outros presos era um menor de idade que foi libertado da prisão após perder peso de 65 kg para 46 kg.

Um parecer médico escrito por um pediatra (em nome da organização Médicos pelos Direitos Humanos) sugeriu “um quadro clínico grave que inclui desnutrição e baixo peso com risco de vida”, de acordo com o conselho de liberdade condicional. Seu índice de massa corporal (IMC) era de 15,2; o peso mínimo considerado normal começa em 18,5.