Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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A guerra entre Israel e Hamas resultou na destruição da grande maioria da infraestrutura educacional de Gaza, forçando famílias a construir “escolas de tendas” improvisadas em zonas de extremo perigo por estarem próximas às forças israelenses; na área demarcada por Israel como a “zona amarela” a oeste da linha de separação.

O jornal Al Jazeera acompanhou o primeiro dia de aula de Tulin, menina de sete anos que percorre o trajeto até a sala de aula, caminhando pelos escombros da cidade de Beit Lahiya com medo dos possíveis tiroteios em lugares abertos.

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“Quando vou para a escola, tenho medo dos tiroteios”, disse Tulin. “Não consigo encontrar uma parede para me esconder e evitar ser atingido por bombas ou balas perdidas”, relata.

As tendas improvisadas não possuem proteção suficiente, as paredes de lona não conseguem deter balas, mas os alunos não possuem cadeiras para sentar, restando como única solução sentar-se no chão, com o único objetivo de aprender.

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O relato da professora de Tulin sobre a rotina diária é angustiante. Segundo a educadora, que não quis se identificar, as aulas são frequentemente interrompidas pelo estalo de tiros de franco-atiradores. “O local é difícil, perto das forças de ocupação”, explicou.

“Quando os tiros começam, dizemos às crianças: ‘deitem-se de bruços’. Eu fico arrepiada, rezando a Deus para que ninguém se machuque. Fazemos com que elas se deitem no chão até os tiros cessarem”, declarou a professora.

Contudo, a educadora conta que “já foram alvejados por tiros mais de uma vez, mas nós continuamos com as aulas”, e completa: “a política da ocupação é ignorância, e a nossa missão é o conhecimento”.

Da mesma forma, o estudante Ahmed, que perdeu o pai na guerra, lembra que muitos alunos tem dificuldades para ir às aulas e até para sair das aulas. “Mas eu quero realizar o sonho do meu pai, que foi martirizado, e queria ver eu me tornar médico”, comenta.

Segundo porta-voz do UNICEF, 98% de todas as escolas na Faixa de Gaza sofrem danos em diferentes graus
Jaber Jehad Badwan / Wikipedia Commons

Colapso no sistema educacional

Nesta segunda-feira (05/01), Kazem Abu Khalaf, porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na Palestina, fez declarações à Al Jazeera descrevendo a atual situação de Gaza como “uma das maiores catástrofes” da atualidade.

De acordo com Khalaf, os “dados indicam que 98% de todas as escolas na Faixa de Gaza sofrem danos em diferentes graus, chegando à destruição total”. Aproximadamente 638 mil crianças em idade escolar e 70 mil em idade pré-escolar perderam dois anos letivos completos, resultando no terceiro ano de privação.

Apesar da Unicef e seus parceiros terem estabelecido 109 centros de aprendizagem temporários, que atendem 135 mil alunos, as cicatrizes psicológicas da guerra estão vindo à tona de maneiras alarmantes.

Além disso, Khalaf afirmou que as equipes de campo observaram uma grave regressão no desenvolvimento dos alunos, exigindo “esforços redobrados” por parte dos pedagogos.

Ademais, desde o início da guerra, em outubro de 2023, nenhum material educacional foi autorizado a entrar na Faixa de Gaza. Ainda segundo Abu Khalaf, “o maior desafio, na verdade, é que quase nenhum material didático chegou”, afirmou ele.

Uma campanha preparada foi pela Unicef e direcionada a 200 mil crianças, com foco principal em árabe, inglês, matemática e ciências, além de atividades recreativas para “preservar a saúde mental das crianças antes de qualquer outra coisa”.

Entretanto, Abu Khalaf declarou que o sucesso para que essas campanhas sejam realizadas depende exclusivamente de Israel suspender as restrições.

Com informações de Al Jazeera.