Crise humanitária em Gaza obriga crianças a trabalharem para sustentar famílias, afirmam entidades
Segundo representante do Unicef, genocídio promovido por Israel no território ‘destruiu estruturas familiares e deixou menores muito vulneráveis’
Menores de idade vendendo nas ruas, buscando comida no lixo ou em meio aos escombros, salas de aula reduzidas. Essas são cenas do cotidiano produzido na Faixa de Gaza após mais de dois anos da ofensiva militar promovida por Israel contra a população palestina do território.
Segundo relatos de voluntários das entidades que atuam em Gaza em colaboração com o Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência (Unicef), os trabalhos de assistência aos sobreviventes na região têm esbarrado na dificuldade em atender aos menores de idade que precisam deixar os refúgios para obter recursos e suprir as necessidades de suas famílias.
“O impacto da guerra sobre as crianças palestinas tem sido enorme. Toda a estrutura familiar foi desestruturada em Gaza e as crianças estão muito vulneráveis, que deveriam estar na escola ou brincado com os amigos, mas estão nas ruas devido à ausência do pai, ou da mãe, ou de ambos, que as obriga a exercer um papel familiar difícil de ser assumido nessa idade. É uma situação que se vê em muitas famílias de sobreviventes, e isso cobra um preço social”, contou Tess Ingram, porta-voz do Unicef, em entrevista ao canal catari Al Jazeera.
A ativista afirma que as entidades que trabalham com o Unicef e outras que também trabalham em Gaza “estão fazendo tudo para tentar impedir essa situação, e entregar aquilo que as famílias precisam, e também o que esses menores precisam, mas os recursos são escassos, as famílias precisam de muito mais do que o permitido diariamente pelo acordo (de cessar-fogo)”.
De acordo com Ingram, o Unicef tem enviado recursos às entidades para “fornecer assistência financeira às famílias, educá-las sobre os riscos do trabalho infantil e tentar ajudá-las a retomar sua vida na medida do possível”.

Adolescente palestino cozinha para seu irmão menor
Al Jazeera / Reprodução
‘Se meu pai estivesse vivo…’
Um dos casos relatados pela reportagem da Al Jazeera é o de Mohammed Ashour, de 15 anos, que vive vendendo café e água, como forma de levar recursos para sua família, cujo pai foi morto pelas forças israelenses.
A mãe de Mohammed, Atad Ashour, fica em casa cuidando dos filhos menores, enquanto seu primogênito precisa ir às ruas trazer dinheiro e comida para a família.
“Se meu pai estivesse vivo, você me encontraria em casa ou indo para a escola”, disse Mohammed à Al Jazeera.
Um estudo da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA, por sua sigla em inglês) aponta que mais de 40 mil crianças palestinas de Gaza perderam um ou ambos os pais durante o genocídio.
Também segundo a UNRWA, mais de 18 mil crianças foram assassinadas durante os dois primeiros anos do genocídio, entre outubro de 2023 e outubro de 2025.
Com informações de Al Jazeera.























