Quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
APOIE
Menu

Segundo o Relatório Alternativo sobre a Pobreza de 2025, da organização israelense Latet, a guerra genocida de Tel Aviv contra Gaza desencadeou um grave desmoronamento social e econômico em Israel. Divulgado na segunda-feira (08/12), o documento descreve uma população sucumbindo às consequências de uma guerra que esgotou os recursos do Estado, desestabilizou a força de trabalho e elevou o custo de vida a níveis sem precedentes.

Latet calculou que o custo de vida mínimo em Israel em 2025 será de aproximadamente 5.589 NIS (R$ 9.472,88) por pessoa por mês, ou 14.139 NIS (R$ 23.964,41) para uma família de dois adultos e duas crianças. Esse valor é significativamente superior à linha de pobreza oficial estabelecida para 2025 pelo Instituto Nacional de Seguros (NII), de 4.105 NIS (R$ 6.957,63) por pessoa e 10.508 NIS (R$ 17.810,17) para uma família de quatro pessoas.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Mesmo os dois salários mínimos integrais da NII – que somam aproximadamente 12.495 NIS (R$ 21.177,97) – não são suficientes para o orçamento mensal básico de Latet (14.139 NIS – R$ 23.964,41). E, considerando que a média de renda familiar é de apenas 1,35 pessoas, o déficit chega a quase 40%.

A organização observa aumentos acentuados nos preços de bens essenciais, incluindo alimentos, moradia, vestuário, saúde e educação. Os indivíduos enfrentam um custo adicional de 3.500 NIS (R$ 5.932,20) por ano, enquanto as famílias arcam com quase 9.000 NIS (R$ 15.254,24) a mais em comparação com anos anteriores. Somente os custos relacionados à saúde aumentaram quase 15%, com o aumento dos prêmios e dos pagamentos diretos durante o período de guerra.

Mais lidas

 

Ver essa foto no Instagram

 

Um post compartilhado por Latet | Israel’s Leading NGO (@latet_international)

De acordo com o relatório, 26,9% das famílias – cerca de 867 mil domicílios – enfrentam insegurança alimentar, juntamente com 2,8 milhões de indivíduos e mais de 1,18 milhão de crianças. Isso representa um aumento de aproximadamente 27% a 29% em relação ao ano passado.

Leia | Como Israel vem usando vídeos pagos para negar fome em Gaza

O relatório revela que, enquanto o Estado israelense prossegue com sua ofensiva externa, milhões dentro de suas próprias fronteiras vivem um “estado de emergência permanente” interno, sem saber como conseguirão sua próxima refeição, pagar o aluguel ou sustentar seus filhos.

É crucial destacar, no entanto, que esta crise interna permanece de uma magnitude incomparavelmente menor perante o genocídio e a devastação total que o projeto sionista inflige ao povo palestino em Gaza e na Cisjordânia, cujo deslocamento, perda de meios de subsistência e infraestrutura aniquilada representam um dos colapsos humanitários mais graves do século XXI.

Como contraponto à crise israelense, a agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD) afirmou em um relatório que as operações militares de Israel ‘minaram significativamente todos os pilares da sobrevivência’ e que toda a população de 2,3 milhões de pessoas enfrenta um ’empobrecimento extremo e multidimensional’. Segundo o documento, a reconstrução do que foi destruído custará mais de US$ 70 bilhões (R$ 53 bilhões) ao longo de várias décadas.