Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Durante o segundo dia da 83ª edição do Festival de Cinema de Veneza, o diretor do festival, Alberto Barbera, disse nesta quinta-feira (03/09) que “não há margem”  para atender os apelos de um coletivo de artistas para erguer a bandeira da Palestina no evento.

Segundo Barbera, não há margem para atender ao pedido, uma vez que a Bienal de Veneza, organizadora do festival mais antigo do mundo, só pode exibir bandeiras de Estados reconhecidos pelo governo italiano.

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O evento, que teve início nesta quarta-feira (02/09) e segue até sábado (12/09), vem gerando mobilizações do coletivo Venice4Palestine antes mesmo de sua estreia. O movimento, formado por artistas e escritores que apoiam os direitos palestinos em meio à guerra em Gaza, vem reivindicando a exibição da bandeira palestina durante o festival, em homenagem à presença de dois filmes palestinos na programação oficial.

De acordo com o diretor do festival, “o governo italiano é um dos poucos que ainda não reconheceu a Palestina, portanto a questão não deve ser dirigida a nós, mas ao Estado italiano”, declarou o diretor em coletiva de imprensa à margem da mostra.

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Além disso, ele afirmou que a posição da Bienal é de que “não faz declarações políticas, não toma partido diretamente, mas o faz através do trabalho que realiza, dos filmes que exibe, da defesa absoluta e rigorosa da liberdade de expressão e da criação de um espaço aberto a todos para discussão e debate”.

No entanto, em um novo comunicado, o grupo pediu para a Bienal de Veneza “ir além dos protocolos” e assumir uma “posição pública que se traduza em um gesto concreto”. Em resposta, na próxima quarta-feira (09/09), o coletivo deve promover uma manifestação diante da Câmara dos Deputados da Itália, em Roma, para cobrar solidariedade à Palestina.

O Festival de Veneza já foi palco de manifestações em defesa da Palestina. Em agosto de 2025, milhares de pessoas foram às ruas para protestar contra as ações do Exército israelense na Faixa de Gaza
wikimedia

Manifestações são históricas

Vale ressaltar que esta não é a primeira vez que o Festival de Veneza é palco de protestos. Em agosto do ano passado, milhares de pessoas se reuniram nas ruas para protestar contra as ações do Exército israelense na Faixa de Gaza. O coletivo V4P, em uma carta, pediu que o festival não virasse uma “tribuna triste e vazia” e “adotasse uma posição clara e sem ambiguidades”.

Um dos fundadores do coletivo, Fabiomassimo Lozzi, declarou à AFP que “o objetivo da carta era colocar Gaza e a Palestina no centro da atenção pública em Veneza e foi isso que aconteceu”.

Além disso, nos últimos dias da mostra, a diretora marroquina Maryam Touzani e seu marido, o cineasta Nabil Ayouch, exibiram um cartaz com a frase “Parem o genocídio em Gaza”.

(*) Com Ansa

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