Durante o segundo dia da 83ª edição do Festival de Cinema de Veneza, o diretor do festival, Alberto Barbera, disse nesta quinta-feira (03/09) que “não há margem” para atender os apelos de um coletivo de artistas para erguer a bandeira da Palestina no evento.
Segundo Barbera, não há margem para atender ao pedido, uma vez que a Bienal de Veneza, organizadora do festival mais antigo do mundo, só pode exibir bandeiras de Estados reconhecidos pelo governo italiano.
O evento, que teve início nesta quarta-feira (02/09) e segue até sábado (12/09), vem gerando mobilizações do coletivo Venice4Palestine antes mesmo de sua estreia. O movimento, formado por artistas e escritores que apoiam os direitos palestinos em meio à guerra em Gaza, vem reivindicando a exibição da bandeira palestina durante o festival, em homenagem à presença de dois filmes palestinos na programação oficial.
De acordo com o diretor do festival, “o governo italiano é um dos poucos que ainda não reconheceu a Palestina, portanto a questão não deve ser dirigida a nós, mas ao Estado italiano”, declarou o diretor em coletiva de imprensa à margem da mostra.
Além disso, ele afirmou que a posição da Bienal é de que “não faz declarações políticas, não toma partido diretamente, mas o faz através do trabalho que realiza, dos filmes que exibe, da defesa absoluta e rigorosa da liberdade de expressão e da criação de um espaço aberto a todos para discussão e debate”.
No entanto, em um novo comunicado, o grupo pediu para a Bienal de Veneza “ir além dos protocolos” e assumir uma “posição pública que se traduza em um gesto concreto”. Em resposta, na próxima quarta-feira (09/09), o coletivo deve promover uma manifestação diante da Câmara dos Deputados da Itália, em Roma, para cobrar solidariedade à Palestina.

Vale ressaltar que esta não é a primeira vez que o Festival de Veneza é palco de protestos. Em agosto do ano passado, milhares de pessoas se reuniram nas ruas para protestar contra as ações do Exército israelense na Faixa de Gaza. O coletivo V4P, em uma carta, pediu que o festival não virasse uma “tribuna triste e vazia” e “adotasse uma posição clara e sem ambiguidades”.
Um dos fundadores do coletivo, Fabiomassimo Lozzi, declarou à AFP que “o objetivo da carta era colocar Gaza e a Palestina no centro da atenção pública em Veneza e foi isso que aconteceu”.
Além disso, nos últimos dias da mostra, a diretora marroquina Maryam Touzani e seu marido, o cineasta Nabil Ayouch, exibiram um cartaz com a frase “Parem o genocídio em Gaza”.
(*) Com Ansa