Segunda-feira, 18 de maio de 2026
APOIE
Menu

O documentário Gaza: Médicos Sob Ataque ganhou o prêmio de atualidades no BAFTA TV Awards, em Londres, no domingo (10/05), em uma cerimônia na qual a equipe expôs a censura da BBC ao filme e denunciou o “medicalismo” perpetrado por Israel na Faixa de Gaza.

O documentário, originalmente encomendado pela BBC, que posteriormente abandonou o projeto devido a “preocupações com a imparcialidade”, acabou sendo transmitido pelo Channel 4, pertencente à Channel Four Television Corporation, outra empresa pública do Reino Unido.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Gaza: Médicos Sob Ataque investiga e expõe a situação dos profissionais de saúde em Gaza durante o genocídio perpetrado por Israel entre outubro de 2023 e outubro de 2025, período em que mais de 70.000 palestinos foram mortos, incluindo mais de 20.000 crianças, e mais de 170.000 ficaram feridos.

Nos primeiros sete meses da fase intensiva do genocídio, 32 dos 36 hospitais na Faixa de Gaza sofreram danos diretos ou indiretos devido a bombardeios e ataques das forças militares israelenses.

Mais lidas

Após subir ao palco neste domingo no Royal Festival Hall de Londres, a jornalista Ramita Navai, integrante da equipe do filme, lembrou que, segundo a investigação, mais de 1.700 profissionais de saúde palestinos foram mortos e mais de 400 sequestrados. Ela descreveu a situação como “medicalismo”, usando a terminologia das Nações Unidas.

O documentário começa com o crime cometido por soldados israelenses em 23 de março de 2025, quando atiraram e mataram oito médicos palestinos, seis socorristas da Defesa Civil e um funcionário da ONU.

Os trabalhadores humanitários, claramente identificados, deslocavam-se em cinco ambulâncias, um caminhão de bombeiros e um veículo das Nações Unidas, também com identificação, para socorrer os feridos na região de Rafah, ao sul da Faixa de Gaza.

Após o fuzilamento, seus corpos foram enterrados em uma vala comum e os militares não permitiram o acesso aos cadáveres até cinco dias após a execução.

Após reiterar a acusação na cerimônia de entrega dos prêmios BAFTA de televisão, Navai afirmou que a BBC financiou a investigação, mas se recusou a transmiti-la. Ela encerrou seu discurso com uma mensagem desafiadora: “Recusamos ser silenciados e censurados”.

Durante seu discurso de agradecimento, o produtor executivo do filme, Ben De Pear, dedicou o prêmio aos jornalistas em Gaza que trabalharam sob extremo perigo, afirmando que mais de 250 de seus colegas foram mortos em ataques israelenses.

De Pear falou diretamente com a BBC diante das câmeras e questionou se a emissora também cortaria seu discurso da transmissão do BAFTA TV Awards, que é exibida posteriormente com atraso.

Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), apenas 42% dos centros médicos em Gaza estão operacionais, e 90% desses estão apenas parcialmente operacionais.

A maioria dos pacientes e doentes na Faixa de Gaza, muitos dos quais precisam ser evacuados para receber tratamento em outros países devido à gravidade de seus ferimentos, continuam dependendo dos cuidados prestados por hospitais de campanha por causa da destruição do sistema de saúde em decorrência da grande ofensiva militar israelense.