Em busca de alianças na extrema direita, Eduardo Bolsonaro discursa no Parlamento de Israel
Deputado cassado chamou 7 de outubro de 'antissemitismo genocida'; seu irmão Flávio fala ao Knesset no Dia do Holocausto, terça-feira (27)
Viajando a Israel, em busca de alianças na extrema direita, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) discursou no Knesset (Parlamento israelense) nesta segunda-feira (26/01).
A fala do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso por tentativa de golpe de Estado, ocorreu na Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo de 2026 – evento que contou com a presença do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Citado pelo jornal israelense Haaretz, Bolsonaro lembrou o dia 7 de outubro de 2023, quando o grupo palestino Hamas realizou um ataque no sul de Israel, como “antissemitismo genocida”. O político afirmou que “o silêncio [sobre o 7 de outubro] se tornou cumplicidade”. Nesta linha, ele criticou decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de retirar o Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA).
“O antissemitismo hoje nem sempre usa uma suástica [símbolo apropriado pelo Nazismo]. Ele se esconde atrás de ONGs, jargões acadêmicos e palavras como ‘antissionismo’”, acrescentou.
A fala de Bolsonaro faz uma comparação entre os termos “antissemitismo” e “antissionismo”. O jornalista e fundador de Opera Mundi, Breno Altman, já delinou que “antissemitismo é o ódio contra os judeus, que encontrou seu apogeu com o Holocausto, no qual morreram dezenas de meus familiares, entre milhões assassinados pela bestialidade nazista, esmagada pelo Exército Vermelho e a luta dos povos em 1945”.
Por outro lado, “antissionismo é a repulsa contra uma ideologia racista e colonial que envergonha a tradição humanista do judaísmo, manchando-a com o sangue das crianças executadas na Faixa de Gaza”.
A fala de Bolsonaro seguiu ao atribuir “mérito” ao ministro da Diáspora de Israel, Amichai Chikli, por ajudar a arquivar um processo movido pela Fundação Hind Rajab no Brasil contra um soldado das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês, como é chamado o exército do país).
Em janeiro de 2025, em resposta a uma denúncia feita pela Fundação Hind Rajab, a Justiça Federal brasileira iniciou um processo de investigação contra o soldado israelense Yuval Vagdani, por supostos crimes de guerra praticados na Faixa de Gaza.
Vagdani estaria passando férias no Brasil, mais precisamente no Estado da Bahia, e foi acusado de atuar na demolição de um quarteirão residencial na Faixa de Gaza, em novembro de 2024. Segundo a denúncia da Fundação Hind Rajab, o soldado teria participado de uma operação com explosivos fora de situação de combate, o que poderia configurar crime de guerra. O local demolido servia de abrigo para palestinos que se refugiavam dos bombardeios lançados por Israel.

Eduardo Bolsonaro defendeu que “organizações extremistas devem ser legalmente designadas como grupos terroristas”
Fotos Públicas
Com a denúncia, de acordo com o jornal The Times of Israel, Vagdani deixou o território brasileiro, em operação que foi coordenada pelo Ministério de Relações Exteriores de Israel e pela Embaixada de Israel no Brasil.
Ao continuar falando sobre organizações pró-Palestina, como a Fundação Hind Rajab – que leva o nome de uma criança palestina brutalmente assassinada pelo Exército Israelense enquanto tentava fugir da Cidade de Gaza – o ex-deputado brasileiro defendeu que “organizações extremistas devem ser legalmente designadas como grupos terroristas – não apenas grupos armados, mas também ONGs que os apoiam”.
“Sem essa designação, os bancos não podem congelar contas, os tribunais não podem agir, a polícia hesita. Não se pode derrotar um inimigo”, acrescentou.
‘Candidato à Presidência do Brasil’
Durante sua agenda em Israel, Bolsonaro visitou Samaria, acompanhado por seu irmão Flávio Bolsonaro e Yossi Dagan, chefe do Conselho Regional da região, segundo o jornal israelense Ynet News.
Apesar da candidatura à Presidência brasileira de Flávio ainda não ter sido oficializada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sendo ele apenas um possível nome da direita brasileira, o periódico chamou o senador brasileiro de “candidato à Presidência do Brasil”.
Nessa linha, durante a visita, Dagan questionou se Samaria seria o primeiro local que Bolsonaro visitará caso seja eleito presidente. Além de concordar, o senador prestou “solidariedade ao povo da Judeia e Samaria, pelo que passaram”.
The Brazilian presidential candidate visits Samaria: “My full support to the residents of Judea and Samaria, my first visit as president will be to Samaria”
A precedent: Flávio Bolsonaro, the leading candidate for the presidency of Brazil in the 2026 elections and son of Jair,… pic.twitter.com/AxaC715v7W
— Adi (@Adi13) January 25, 2026
“Que em um futuro muito próximo, a justiça possa acontecer e transformar Israel”, acrescentou. Na próxima terça-feira (27/01), Flávio deve discursar ao Knesset, em memória do Dia do Holocausto.
A agenda de Eduardo e Flávio Bolsonaro em Israel, que começou na última terça-feira (20/01) também incluiu uma visita ao Muro das Lamentações, em Jerusalém, e reuniões com aliados de extrema direita da Argentina e Espanha.
Mais uma vez sigo os passos do meu pai, assim como espero que um dia minhas filhas sigam os meus e os da minha esposa. Para salvar o Brasil, não há caminho possível longe de Deus.
Que Deus abençoe todos aqueles que estão caminhando com muito sacrifício pela libertação do nosso… pic.twitter.com/twSAc0uLmi
— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) January 23, 2026
(*) Com informações de Gazeta do Povo
























