Segunda-feira, 25 de maio de 2026
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O ator espanhol Javier Bardem e a atriz judia norte-americana Hannah Einbinder declaram seu apoio à Palestina durante a semana cinematográfica do Festival de Cannes. Em uma coletiva de imprensa no domingo (17/05), Bardem declarou que o genocídio que está sendo cometido em Gaza é um “fato”.

“Você pode lutar contra isso, pode tentar justificá-lo, explicá-lo. Isso é um fato. Você pode ser contra ou pode justificá-lo”, disse Bardem. “Se você o justifica com seu silêncio ou com seu apoio, você é a favor do genocídio. Para mim, esses são fatos”, denunciou.

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O ator, que está em Cannes estreando o filme El Ser Querido, afirmou que Hollywood está mudando sua visão em relação à Palestina. “Todos estão começando a perceber — graças à geração mais jovem, que está mais atenta às situações que vivenciamos de forma bastante direta em nossos celulares e outras telas — que isso é inaceitável. Não pode ser justificado. E não pode haver razão, nenhuma explicação para esse genocídio”, disse ele.

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Por sua vez, Hannah Einbinder, que é protagonista do filme Teenage Sex and Death at Camp Miasma, enfatizou que a Mubi está ciente de suas falas pró-Palestina em Cannes. “O que posso dizer é que eu posso, já fiz e vou continuar falando e defendendo uma Palestina livre. E a Mubi sabe disso sobre mim, e eles têm sido apoiadores de todos nós”, afirmou à Variety.

A plataforma de streaming entrou na polêmica, após a empresa receber investimentos da Sequoia Capital, companhia que possui ligações financeiras com o setor militar israelense. “Infelizmente, acho que existe muito dinheiro obscuro em Hollywood. Nós, como artistas e indivíduos, não tomamos essas decisões”, comentou a atriz.

Em uma entrevista ao podcast Beyond Israelism, Einbinder também criticou o silêncio generalizado de Hollywood em relação ao apoio a Gaza e observou como “infelizmente, as pessoas em Hollywood precisam que essas questões afetem uma pessoa branca para que elas as vejam como relevantes para elas”.

Ao abordar o tema da Palestina na palestra Kering Women in Motion, Einbinder disse à Veriety: “Sigo os passos dos palestinos que estabeleceram o padrão, que sempre tiveram que ser seus próprios defensores. Estou muito feliz em me juntar a uma tradição de palestinos e aliados judeus que estão comprometidos em se manifestar em um momento em que muitas pessoas se esquivam disso. Sigo o exemplo deles”.

Hollywood boicota artistas pró-Palestina

A artista norte-americana Susan Sarandon afirmou ter sido boicotada em Hollywood após se posicionar publicamente sobre a guerra em Gaza e defender um cessar-fogo no conflito. Ela relatou que foi desligada da agência que a representava em 2023 e que, desde então, ficou praticamente sem oportunidades na indústria norte-americana. Nesse sentido, revelou que passou a trabalhar na Europa em meio às dificuldades que enfrentava nos Estados Unidos.

“Fui demitida pela minha agência, especificamente por protestar e me posicionar sobre Gaza, por pedir um cessar-fogo. Passou a ser impossível até mesmo fazer aparições na televisão. Não sei se isso mudou recentemente. Eu não conseguia fazer nenhum grande filme ou qualquer coisa ligada a Hollywood”, expôs em seu discurso na cerimônia do prêmio Goya em Barcelona.

Questionado em Cannes sobre temer sofrer consequências em sua carreira por denunciar a guerra em Gaza, o ator espanhol Javier Bardem, que declarou “Palestina Livre” ao apresentar o prêmio de melhor filme internacional no Oscar de 2026, afirmou que “o medo existe, mas é preciso fazer as coisas mesmo quando se sente um pouco assustado ou com medo”.

Por sua vez, Hannah Einbinder também afirmou não se desanimar de perder trabalhos por se manifestar publicamente. “Há um preço maior em não falar e você precisa ter suas prioridades em ordem. Não tenho a menor ideia de que minha pequena carreira possa se comparar a uma única vida humana. Então, sabe, é uma obrigação e eu sempre a cumprirei.”

A atriz, que já apareceu vestindo uma blusa com a bandeira da Palestina na série de comédia Hacks, se tornou amplamente conhecida como uma das atrizes a abordar temas como inteligência artificial e criticar a conduta do serviço de imigração (ICE) do governo de Donald Trump. No seu discurso de agradecimento no Emmys de 2025, a atriz concluiu dizendo “Que se dane o ICE, liberdade para a Palestina e força Eagles!”.