Sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
APOIE
Menu

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, pediu nesta sexta-feira (23/01) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconsidere a configuração do “Conselho de Paz” na Faixa de Gaza, em meio à resistência de países europeus em aderir à iniciativa.

Durante uma coletiva de imprensa em Roma com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, a mandatária afirmou que a proposta norte-americana tem “problemas de caráter constitucional” para seu país, refereindo-se ao estabelecimento de Trump como presidente vitalício e com poder de veto no organismo.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

A dúvida é se a proposta de Trump não entra em conflito com o artigo 11 da Constituição italiana, que proíbe a concessão de pedaços da soberania nacional sem condições de igualdade com outros Estados.

Assim, Meloni pediu que o republicano avalie a disponibilidade de “reabrir essa configuração para atender às necessidades não apenas da Itália, mas também de outros países europeus”.

Mais lidas

Apesar disso, a primeira-ministra demonstrou interesse em integrar à iniciativa, afirmando que os países europeus devem “tentar fazer esse trabalho”. “A presença de países como a Itália e a Alemanha pode fazer a diferença”, acrescentou.

Por sua vez, o chanceler alemão Merz declarou que a Alemanha “não pode aceitar as atuais estruturas de governança” do “Conselho da Paz”, que também prevê uma taxa de adesão permanente de US$ 1 bilhão (R$ 5,5 bilhões), valor que será administrado pelo próprio presidente dos EUA.

“Mas estamos prontos a explorar com os EUA novos formatos”, acrescentou o chanceler.

Mais de 20 países aderiram ao “Conselho da Paz”

Até o momento, Roma ainda não deu uma resposta definitiva aos EUA. Enquanto isso, mais de 20 países aceitaram aderir à iniciativa, que foi oficializado na manhã da última quinta-feira (22/01), no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.

Além do presidente dos EUA, o documento foi assinado por 23 países: Armênia; Arábia Saudita; Argentina; Azerbaijão; Bahrein; Belarus; Bulgária; Catar; Cazaquistão; Egito; Emirados Árabes Unidos; Hungria; Indonésia; Israel; Jordânia; Kosovo; Marrocos; Mongólia; Paquistão; Paraguai; Turquia; Uzbequistão e Vietnã.

Da Europa, Noruega, Eslovênia e Suécia rejeitaram a adesão. A França também indicou que não deve participar da iniciativa. Na Ásia, a China recusou o convite.

Países como Alemanha, Reino Unido, Canadá, Croácia, Índia, Tailândia, Singapura, Japão e Ucrânia ainda não se posicionaram oficialmente sobre o convite. Anteriormente, foi noticiado que cerca de 60 países haviam sido convidados a participar da organização.

A Rússia, porém, ainda não confirmou se irá aderir ao organismo. No entanto, o presidente russo, Vladimir Putin, se reuniu nesta quinta com o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e prometeu destinar US$ 1 bi (cerca de R$ 5 bilhões) em ativos congelados pelos EUA para reconstrução de Gaza.

Já no caso do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva consultou AP sobre plano de Trump para Gaza. Segundo uma nota do Palácio do Planalto, em uma ligação com Abbas, ambos “trocaram impressões sobre o plano de paz em curso e acordaram continuar mantendo contato sobre o tema”. Contudo, a posição oficial brasileira ainda permanece indefinida.

O “Conselho de Paz” tem como objetivo inicial monitorar a governança e a reconstrução da Faixa de Gaza, porém, segundo a Casa Branca, também pode se estender a outros locais de conflito, o que levantou preocupações de que Trump estaria tentando substituir a Organização das Nações Unidas (ONU).

(*) Com ANSA