A embaixadora de Israel no México, Einat Kranz Neiger, negou que os mexicanos que integravam a missão humanitária da Flotilha Global Sumud (GSF, na sigla em inglês) rumo à Faixa de Gaza e que foram interceptados pelo exército israelense tenham tido seus direitos violados pelas autoridades daquele país.
“Completamente falso”, disse ela, durante uma coletiva na quinta-feira (09/10), depois que um grupo de seis cidadãos mexicanos denunciou que, quando foram detidos na prisão de segurança máxima de Ketziot, em Israel, foram privados de comida, bebida e remédios.
“O embaixador mexicano em Israel (Mauricio Escanero) estava com eles, foi vê-los, pôde visitá-los e garantiu que estavam em boas condições. Portanto, temos certeza absoluta de que eles receberam tratamento digno e que não houve maus-tratos contra eles”, acrescentou Neiger.
Segundo a representante israelense, a flotilha apenas buscou “deslegitimar Israel” e rejeitou que a missão tenha tido como objetivo principal transportar ajuda humanitária.
“Esses seis mexicanos faziam parte de uma grande flotilha com muitos navios, quase 500 pessoas de todo o mundo que participaram de um ato de provocação política. Foi definida como ajuda humanitária, mas quando os navios chegaram e foram inspecionados verificou-se que havia um montante mínimo de ajuda comunitária, o que mostra que o verdadeiro objetivo desta frota não era a ajuda humanitária. Foi mínimo em comparação com os caminhões que chegam todos os dias, Israel gerencia essa entrada. Foi um ato para deslegitimar Israel”, disse.

Na coletiva, Neiger rejeitou que o que Israel comete em Gaza seja um genocídio, em oposição à classificação dada pelas cortes internacionais e por grupos de direitos humanos pelo mundo. Para ela, trata-se de uma mecânica de “autodefesa” e descreve as ofensivas contra hospitais e escolas palestinos como “legítimas”, alegando que os locais são usados pelo Hamas para operações.
“Um hospital ou uma escola se torna um alvo militar legítimo quando a guerra e a atividade terrorista são realizadas a partir daí. Quando Israel atacou escolas e hospitais, foi porque havia evidências de que terroristas do Hamas estavam operando lá”, explicou.
Em sua fala, a embaixadora também minimizou o número de vítimas civis causadas pelos ataques israelenses e criticou as nações que reconhecem o Estado palestino, que considera como sendo “uma recompensa pelos ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023″. Vale lembrar que, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 67 mil palestinos foram assassinados em ataques coordenados pelo regime sionista desde o início do genocídio televisionado, em 7 de outubro de 2023.