Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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Empresas dos Estados Unidos estão disputando concessões para a reconstrução da Faixa de Gaza após o genocídio promovido por Israel com o objetivo de “enriquecer”, denunciou o jornalista investigativo do jornal britânico Guardian, Aram Roston.

Em entrevista ao programa norte-americano Democracy Now, Roston afirmou ter descoberto que, mesmo sem a autorização necessária para a emissão de contratos — que só começará após o chamado Conselho de Paz de Trump começar a operar em Gaza —, havia uma empresa líder cotada para atuar no enclave palestino, a Gotham’s LLC.

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A companhia esteve envolvida no centro de detenção de migrantes do sul da Flórida conhecidos como “Alligator Alcatraz”. O jornalista lembrou que o local é conhecido por “abrigar imigrantes detidos em condições consideradas bastante desumanas, em uma espécie de pântano, um local incrivelmente quente, e em tendas”. O nome do centro remete ao local em que foi construído, uma área pantanosa que abriga 200 mil jacarés, crocodilos e cobras.

Segundo Roston, o responsável pela companhia é “um empresário com muitas conexões políticas chamado Matt Michelsen”. “Ele parecia estar na liderança desse projeto para lidar com a logística que será necessária em Gaza”, acrescentou.

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Por outro lado, revelou que sua reportagem investigativa, realizada em colaboração com a repórter Cate Brown, contatou Michelsen para explicações. “Mas assim que conversamos, ele anunciou que estava se retirando do projeto imediatamente porque nossas perguntas o levaram a se retirar de todo o esforço em Gaza por enquanto”.

Outro empresário envolvido no esquema era Adam Hoffman, um homem de 25 anos graduado na Universidade de Princeton. Segundo Roston, também era conhecido por ser um ativista conservador e escritor pró-Israel que atuou no Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), que foi liderado por Elon Musk até maio passado.

Empresários esperam que reconstrução de Gaza seja como do Iraque “lucrativo para muitos”
WAFA/Wikicommons

Sobre os detalhes dos planos da Gotham’s LLC para a Faixa de Gaza, o jornalista revelou ter visto “alguns documentos sobre o planejamento desse sistema logístico” que apontavam a cobrança de US$2 mil (R$10,8 mil) para a entrada de cada caminhão de ajuda humanitária e U$12 mil (R$64.800) para caminhões comerciais.

“Os cálculos que fizemos indicaram US$ 1,7 bilhão (R$9,18 bilhões) por ano. Mas a proposta que vimos era para três anos. Mas tudo parece informal, na esperança de que, quando a reconstrução realmente começar, o dinheiro comece a fluir”, explicou.

Segundo Roston, a Casa Branca entrou em contato com a reportagem dizendo que a situação foi “mal interpretada” e “que tudo ainda era planejamento” porque ainda não estavam emitindo contratos.

“Mas escrevemos que esse é o caso na reportagem. É só gente na fila. E todos esses empreiteiros nos disseram que as pessoas estão na fila para garantir os lucros porque acham que é uma quantia enorme de dinheiro”, afirmou.

Ao Democracy Now, o jornalista do Guardian afirmou que um empresário consultado pela investigação relatou que as empresas “estão na fila porque estão tratando a situação da mesma forma que trataram a reconstrução do Iraque que foi imensamente lucrativa para muitos”.

Apesar dos planos bilionários, não há detalhes sobre o que a Gotham’s LLC planeja fazer na Faixa de Gaza. “Não temos nenhuma pista sobre o que realmente está acontecendo, sobre qual é o plano real. Serão resorts e condomínios no lugar do que costumava ser uma moradia para palestinos? Pessoas serão indenizadas pela perda de suas terras? Não sabemos e não há divulgação de nenhum plano público na ONU”, relatou.