Encharcados, com frio e medo: palestinos sofrem com inundações e ataques diários de Israel em Gaza
Sob inverno rigoroso e sem tendas para todos, população vive sob ameaça permanente de mais agressões israelenses
As forças israelenses prosseguem com ataques aéreos em toda a Faixa de Gaza, violando quase diariamente o acordo de cessar-fogo. O genocídio conduzido por Israel no enclave sitiado prossegue em ritmo acelerado, e os palestinos deslocados sofrem com a destruição de seus poucos pertences restantes devido às inundações causadas pelas fortes chuvas de inverno.
Os ataques aéreos israelenses de terça-feira (30/12) atingiram locais ao norte de Rafah e a leste de Khan Younis, o campo de refugiados de Maghazi, no centro de Gaza, e Beit Lahiya, no norte da Faixa, informou a TV catari Al Jazeera.
A emissora disse que houve relatos de bombardeios de artilharia nas regiões sul e central do território, além de um ataque no bairro de Shujayea, na Cidade de Gaza, que atingiu as proximidades da tenda de uma família deslocada. Os últimos ataques, em violação ao cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos que entrou em vigor em outubro, e que já somam quase mil, ocorrem em um momento de imensa dificuldade para centenas de milhares de palestinos deslocados, já que fortes chuvas e ventos devastaram seus acampamentos improvisados, destruindo os poucos pertences que lhes restaram.
O Gabinete de Imprensa do Governo de Gaza informou no domingo que Israel cometeu 969 violações do cessar-fogo desde que este entrou em vigor em 10 de outubro, resultando na morte de 418 civis e ferimentos em mais de 1.100.
“Os palestinos ainda estão muito traumatizados e ansiosos”, disse Khoudary. “A situação no terreno continua a se deteriorar com a persistência das chuvas.”

Famílias que vivem em tendas, prédios danificados e abrigos superlotados estão congelando, sem ter para onde ir em segurança em Gaza
UNRWA
Inundação gelada
Bastaram alguns minutos após uma forte chuva noturna para que a tenda de campanha de Khamil al Sharafi, situada no sul de Gaza, ficasse inundada, ensopando sua comida e suas mantas, disse a AFP.
As chuvas de inverno pioraram a vida precária de pessoas como Sharafi, que está entre as centenas de milhares de deslocados pela guerra no território palestino, muitos dos quais sobrevivem agora graças à ajuda proporcionada por organizações humanitárias.
“Meus filhos tremem de frio e medo (…) A tenda inundou completamente em questão de minutos”, disse Sharafi, de 47 anos, neste domingo (28).
“Perdemos nossas mantas e toda a comida está ensopada”, acrescentou este pai de seis filhos, que mora com eles em um refúgio improvisado na zona costeira de Al Mawasi.
Os habitantes de Gaza seguem enfrentando uma crise humanitária, e a maioria dos deslocados pela guerra perderam quase tudo. As famílias se amontoam em acampamentos de barracas feitas com lonas, que frequentemente ficam cercadas de barro e água empoçada quando chove.
“Como mulher idosa, não posso viver em tendas de campanha. Viver em tendas de campanha significa morrer de frio quando chove e de calor no verão”, explicou Umm Rami Bulbul.
“Não queremos reconstrução imediata, só que deem a nós e a nossos filhos casas móveis”, acrescentou.
As temperaturas noturnas em Gaza oscilaram entre os 8º C e os 12º C nos últimos dias.
Ajuda insuficiente
Segundo dados da ONU, quase 80% dos prédios na Faixa de Gaza foram destruídos ou danificados por Israel. Cerca de 1,5 milhão dos 2,2 milhões de habitantes de Gaza perderam suas casas, segundo Amjad Al Shawa, diretor da Rede de ONG Palestinas (PNGO) em Gaza.
Das mais de 300 mil tendas de campanha solicitadas para abrigar os deslocados, “só recebemos 60 mil”, declarou Shawa à AFP, apontando para as restrições impostas por Israel à entrega de ajuda humanitária no território.
A agência da ONU (Organização das Nações Unidas) para os refugiados palestinos, a Unrwa, afirmou que as duras condições meteorológicas agravaram o sofrimento dos habitantes de Gaza.
“A população de Gaza sobrevive em tendas de campanha frágeis e inundadas, em meio a ruínas”, escreveu o diretor da Unrwa, Philippe Lazzarini, no X. “Isto não é inevitável. Não se está permitindo a entrada de ajuda humanitária no nível necessário”.
No início do mês, Gaza sofreu um episódio similar de fortes chuvas e frio que deixou ao menos 18 mortos devido ao desabamento de edifícios danificados pela guerra ou à exposição às baixas temperaturas, segundo a Defesa Civil do território, que opera sob a autoridade do Hamas.
“Vejam o estado em que se encontram meus filhos e a tenda”, disse Samia Abu Jabba.
“Durmo no frio e a água inunda e molha a roupa dos meus filhos. Não tenho roupa para vesti-los. Estão gelados”, explicou. “O que as pessoas de Gaza e seus filhos fizeram para merecer isto?”























