Quinta-feira, 28 de maio de 2026
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Países como Espanha, Itália e França, entre outros, condenaram e convocaram seus embaixadores e representantes israelenses após a divulgação do vídeo do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, supervisionando os maus-tratos e humilhando os ativistas da Flotilha Global Sumud, que se dirigia a Gaza, detidos ilegalmente no porto de Ashdod. Já os Estados Unidos, por sua vez, apenas condenaram a ação.

“É assim que recebemos apoiadores do terrorismo. Bem-vindos a Israel”, diz a publicação feita nas redes sociais pelo próprio ministro na quarta-feira (20/05). Nas imagens, o político aparece caminhando entre os ativistas solidários à causa palestina. Uma ativista grita “Palestina livre” e, logo em seguida, é empurrada ao chão por um agente de segurança mascarado.

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Outros cortes registram os ativistas algemados, vendados e ajoelhados sob vigilância. Enquanto isso, Ben-Gvir supervisiona as agressões físicas contra os detidos e zomba deles, dizendo frases provocativas como “Bem-vindos a Israel, nós somos os donos da casa” e “O povo de Israel está vivo”.

Devido à grande repercussão internacional, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu emitiu uma declaração incomum de crítica. Ele afirmou que Israel tem todo o direito de impedir a chegada de “flotilhas provocativas” a Gaza e classificou a missão humanitária independente como “apoiadores terroristas do Hamas”. No entanto, ele acrescentou que “a forma como o ministro Ben-Gvir lidou com os ativistas da flotilha não está em consonância com os valores e normas de Israel”, disse Netanyahu.

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O ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa’ar, também criticou Ben-Gvir. “Você causou danos deliberadamente ao Estado com essa atuação vergonhosa, e não é a primeira vez”, escreveu. “Você desperdiçou esforços enormes, profissionais e bem-sucedidos de muitas pessoas — desde soldados das Forças de Defesa de Israel a funcionários do Ministério das Relações Exteriores e muitos outros indivíduos exemplares”. “Não, você não é a cara de Israel”, acrescentou.

Parceiro de coalizão do premiê Netanyahu, Ben-Gvir é considerado um sionista extremista, sendo, por exemplo, um dos responsáveis pelo projeto de lei que estabelece pena de morte para palestinos condenados em tribunais militares por ataques que resultaram em mortes. Proposta que foi aprovada no parlamento israelense com 62 votos a favor e 8 contra.

Países condenam Itamar Ben-Gvir

Estados Unidos

Enquanto países condenam a ação de Ben-Gvir, o posicionamento de Washington se tornou contraditório. Sem anunciar a convocação de algum representante israelense, o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, foi o primeiro membro do governo Trump a comentar sobre o assunto.

Destacando a “indignação generalizada de todos os altos funcionários israelenses”, mencionando Netanyahu, Sa’ar, o gabinete do presidente israelense Isaac Herzog e o embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter. Huckabee, por sua vez, classificou a missão humanitária rumo a Gaza como “uma manobra estúpida” e acrescentou que “Ben-Gvir traiu a dignidade de sua nação”. Em paralelo, na terça-feira, um dia antes, o Departamento do Tesouro dos EUA sancionou quatro organizadores da flotilha.

Itália

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, classificou o vídeo como “inaceitável”, criticando o tratamento dado aos ativistas, que violou sua dignidade humana.

“A Itália exige ainda um pedido de desculpas pelo tratamento dado a esses manifestantes e pelo total desprezo demonstrado em relação aos pedidos explícitos do governo italiano”, disse ela, acrescentando que o embaixador de Israel em Roma também seria convocado.

O secretário-geral do ministério, embaixador Riccardo Guariglia, transmitiu o “forte protesto” do governo italiano sobre o assunto.

Espanha

A Espanha convocou o encarregado de negócios de Israel depois que o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, condenou o tratamento “monstruoso, desumano e vergonhoso” dado aos ativistas da flotilha detidos.

Em um vídeo compartilhado na rede social X, Albares afirmou que as imagens mostravam ativistas sendo tratados de forma “injusta e humilhante” por um ministro israelense e pela polícia.

França

A França convocou o embaixador israelense para expressar sua “indignação” com o incidente, disse o ministro das Relações Exteriores, Jean-Noel Barrot. Ele acrescentou que Paris solicitou explicações de Israel sobre o tratamento dado aos ativistas da flotilha.

“Independentemente da opinião que se tenha sobre esta flotilha — e já manifestamos em diversas ocasiões a nossa desaprovação desta iniciativa — os nossos compatriotas que nela participam devem ser tratados com respeito e libertados o mais rapidamente possível”, escreveu ele.

Bélgica

A Bélgica convocou o embaixador de Israel devido ao tratamento “profundamente perturbador” e “inaceitável” dado por Ben-Gvir aos ativistas da flotilha de Gaza, exigindo a libertação imediata dos detidos.

O ministro das Relações Exteriores, Maxime Prevot, afirmou que as imagens mostravam ativistas “mantidos em cativeiro, amarrados e forçados a ficar de bruços”, enquanto “um ministro do governo” transmitia a humilhação deles nas redes sociais.

Polônia

A Polônia afirmou que o encarregado de negócios de Israel em Varsóvia seria convocado para exigir um pedido de desculpas pelo tratamento dado por Ben-Gvir aos ativistas da flotilha de Gaza.

O ministro das Relações Exteriores, Radoslaw Sikorski, disse que a medida visava transmitir a “indignação” de Varsóvia com a “conduta extremamente inadequada” de um membro do governo israelense.

Países Baixos

A Holanda também planejava convocar o embaixador de Israel no país devido ao tratamento “chocante e inaceitável” dado aos ativistas detidos da flotilha de ajuda humanitária Global Sumud, disse o ministro das Relações Exteriores holandês na quarta-feira.

Portugal

O Ministério das Relações Exteriores de Portugal condenou veementemente o tratamento dispensado por Ben-Gvir aos ativistas da Flotilha Sumud, afirmando ter convocado o encarregado de negócios israelense para apresentar um protesto e solicitar esclarecimentos, segundo um comunicado divulgado no X.

Nova Zelândia

A Nova Zelândia iria convocar o embaixador israelense devido ao vídeo de Ben-Gvir que mostrava os maus-tratos infligidos aos ativistas da flotilha detidos.

O ministro das Relações Exteriores, Winston Peters, disse que a Nova Zelândia já havia imposto uma proibição de viagem a Ben-Gvir no ano passado por “minar grave e deliberadamente a paz e a segurança e eliminar as perspectivas de uma solução de dois Estados”.

Austrália

A ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, afirmou que o embaixador de Israel na Austrália foi convocado pelo Departamento de Relações Exteriores e Comércio para reforçar o descontentamento do governo com o vídeo do ministro da Segurança Nacional de Israel zombando de ativistas da flotilha detidos.

Canadá

O primeiro-ministro Mark Carney denunciou na quarta-feira o tratamento “abominável” dado por Israel aos ativistas a bordo da flotilha de ajuda humanitária a Gaza, exigindo que Tel Aviv garanta a “segurança” dos canadenses.

Observando que o Ministério das Relações Exteriores do Canadá convocou o embaixador de Israel em Ottawa, Carney disse no X que o Canadá exigiu “garantias quanto à segurança dos canadenses envolvidos”.

Colômbia

O presidente colombiano Gustavo Petro chamou o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, de “nazista” após o político ter compartilhado o vídeo em que ativistas pró-Palestina da Flotilha Global Sumud são humilhados e agredidos fisicamente.

“O ministro de estado Ben-Gvir se comporta como um verdadeiro nazista. Foi assim que ele tratou nossos concidadãos apenas porque eles queriam impedir o genocídio em Gaza”, escreveu Petro em sua conta na plataforma X. Entre os ativistas detidos em Ashdod, havia cidadãos colombianos.