Sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
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A Espanha recusou, nesta sexta-feira (23/01), o convite dos Estados Unidos para participar do chamado “Conselho da Paz”, promovido por Donald Trump para acompanhar a reconstrução da Faixa de Gaza, porque a proposta não inclui a Autoridade Palestina (AP).

Segundo o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, a decisão decorre “principalmente e fundamentalmente por coerência”. De acordo com o mandatário, o anúncio respeita à política de seu país com relação “ao futuro dos palestinos”.

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Em discurso, Sánchez declarou que, caso a Espanha aceitasse a proposta dos EUA, estaria em “inconsistência com seu compromisso com a ordem multilateral, com o sistema das Nações Unidas e com o direito internacional”.

“É evidente que essa proposta está fora do âmbito das Nações Unidas e, aliás, não incluiu a Autoridade Palestina”, reclamou Sánchez, ao defender que o “futuro de Gaza, da Cisjordânia e da Palestina como um todo deve ser decidido pelos palestinos”.

O premiê também defendeu que “o futuro da coexistência pacífica e segura da Palestina com Israel deve ser decidido fundamentalmente por ambas as nações num processo de diálogo”. Assim, defendeu a implementação da solução dos dois Estados e a permissão da entrada de ajuda humanitária em Gaza — devastada pelo genocídio promovido por Israel.

Sánchez esclareceu ainda que a não participação da Espanha no “Conselho da Paz” não impedirá que seu país continue “trabalhando e comprometido em um processo de paz” na região. O mandatário garantiu articulação com demais nações europeias e a comunidade internacional para garantir ajuda humanitária e reconstrução do enclave palestino, além de “estabilização e segurança de Israel”.

Sánchez declarou que, caso a Espanha aceitasse proposta dos EUA, estaria em “inconsistência com ordem multilateral”
Pool Moncloa/Fernando Calvo/Fotos Públicas

Quais países aderiram?

Mais de 20 países aceitaram aderir o chamado “Conselho da Paz” de Donald Trump, proposta que terá como objetivo supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza após o genocídio perpetrado por Israel desde outubro de 2023. O organismo foi oficializado na manhã da última quinta-feira (22/01), no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, pelo presidente dos Estados Unidos.

Além do presidente dos EUA, o documento foi assinado por 23 países: Armênia; Arábia Saudita; Argentina; Azerbaijão; Bahrein; Belarus; Bulgária; Catar; Cazaquistão; Egito; Emirados Árabes Unidos; Hungria; Indonésia; Israel; Jordânia; Kosovo; Marrocos; Mongólia; Paquistão; Paraguai; Turquia; Uzbequistão e Vietnã.

Da Europa, Noruega, Eslovênia e Suécia rejeitaram a adesão. A França também indicou que não deve participar da iniciativa. Já a premiê italiana, Giorgia Meloni, pediu mais tempo para “avaliar” a entrada de seu país no conselho. Na Ásia, a China recusou o convite.

Países como Alemanha, Reino Unido, Canadá, Croácia, Índia, Tailândia, Singapura, Japão e Ucrânia ainda não se posicionaram oficialmente sobre o convite. Anteriormente, foi noticiado que cerca de 60 países haviam sido convidados a participar da organização.

A Rússia, porém, ainda não confirmou se irá aderir ao organismo. No entanto, o presidente russo, Vladimir Putin, se reuniu nesta quinta com o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e prometeu destinar US$ 1 bi (cerca de R$ 5 bilhões) em ativos congelados pelos EUA para reconstrução de Gaza.

Já no caso do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva consultou AP sobre plano de Trump para Gaza. Segundo uma nota do Palácio do Planalto, em uma ligação com Abbas, ambos “trocaram impressões sobre o plano de paz em curso e acordaram continuar mantendo contato sobre o tema”. Contudo, a posição oficial brasileira ainda permanece indefinida.

 (*) Com Agência Brasil, Ansa, Brasil247 e RT en español