Quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
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Partidos de esquerda na Índia apelaram ao governo central para que não se junte ao chamado Conselho de Paz, lançado pelos EUA como parte do Plano de Paz do Presidente Donald Trump para Gaza, alegando que seria uma traição aos palestinos e antitética aos compromissos de longo prazo do país com a ONU. “A participação da Índia em tal Conselho, que não respeita os direitos palestinos, constituiria uma grave traição à causa palestina”, afirmaram os cinco principais partidos de esquerda do país em uma declaração conjunta divulgada na quarta-feira (21/01).

Entre os signatários da declaração estão o Partido Comunista da Índia (Marxista), o Partido Comunista da Índia (CPI), o Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista) de Libertação, o Partido Socialista Revolucionário (RSP) e o Bloco de Vanguarda de Toda a Índia (AIFB).

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“O governo indiano deve se manter afastado de tais propostas e defender resolutamente a Palestina e outros países do Sul Global que estão ameaçados pelas ambições imperialistas dos EUA”, diz a declaração conjunta.

O Conselho de Paz faz parte da segunda fase do plano de paz de 20 pontos de Donald Trump para Gaza. A segunda fase do acordo de cessar-fogo foi anunciada na semana passada pelo enviado de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff. Isso ocorreu apesar de os EUA não terem conseguido fazer com que Israel implementasse os aspectos mais cruciais da primeira fase do acordo, em vigor nos últimos três meses. Israel continuou seus ataques dentro de Gaza, matando mais palestinos, enquanto suas forças ainda ocupam grandes áreas além da chamada Linha Amarela.

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Trump presidirá o conselho vitaliciamente

Na sexta-feira (16/01), Trump anunciou que o secretário de Estado Marco Rubio, Witkoff, seu genro Jared Kushner e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair fariam parte do Conselho Executivo da iniciativa, sob sua presidência. Trump declarou que seria o presidente do conselho vitalício.

O conselho propôs dois tipos de adesão com base na contribuição financeira: os países que contribuírem com US$ 1 bilhão seriam membros permanentes, enquanto os demais participariam por um mandato de três anos. Os EUA enviaram cartas-convite e uma minuta da carta constitutiva do conselho para cerca de 60 países, incluindo a Índia, desde sexta-feira.

Trump afirmou que o conselho supervisionaria “o fortalecimento da capacidade de governança, as relações regionais, a reconstrução, a atração de investimentos, o financiamento em larga escala e a mobilização de capital” no território devastado por Israel há mais de dois anos.

Até quarta-feira (21/01), apenas uma pequena parte das nações convidadas havia confirmado sua participação. Entre elas, Israel, principal responsável pelo genocídio e destruição em Gaza. Não há representação palestina no conselho.

Alguns países, incluindo a França, recusaram o convite de Trump para integrar o conselho, enquanto a maioria dos outros se absteve de responder publicamente ao convite, provavelmente devido a considerações como o possível impacto do plano nas Nações Unidas.

O conselho vai minar a ONU

Alegando que tal proposta “contorna deliberadamente a ONU e busca criar uma nova estrutura internacional controlada” por ela, os partidos de esquerda na Índia insistiram que essa tentativa de “sobrepor-se às instituições internacionais existentes deve ser firmemente combatida” pelos países.

Apesar de o Conselho de Segurança da ONU ter aprovado o plano de paz de Trump por três anos, confirmando a formação do “Conselho de Paz” exclusivamente para Gaza, documentos enviados juntamente com o convite afirmam que ele não se limitará a Gaza e poderá também lidar com outros conflitos ao redor do mundo, informou a Reuters nesta segunda-feira (19/01).

Entretanto, Trump tem afirmado abertamente que o conselho pode substituir a ONU que, segundo ele, não cumpriu sua principal função e tem sido prejudicial aos interesses dos EUA.

MA Baby, secretário-geral do CPI (M), observou que o conselho é um instrumento para explorar “a destruição da pátria palestina para obter lucro” pelos EUA e seus aliados. O chamado plano de paz de Trump, ele enfatizou, foi vago em relação à demanda mais crucial dos palestinos sobre o fim da ocupação israelense de seus territórios. Baby pediu ao governo indiano que “denuncie Israel por seu genocídio e os EUA por serem cúmplices”, em vez de participar de seus planos coloniais.

Os partidos de esquerda também têm criticado a posição do governo liderado por Narendra Modi em relação a Gaza desde o início do genocídio em outubro de 2023, acusando-o de trair a posição de longa data da Índia em favor da independência palestina e de se aliar abertamente ao regime sionista genocida.