Europa está dividida sobre presença de Israel no Festival Eurovision
Países como Irlanda e Espanha ameaçam não participar se Tel Aviv competir; decisão ocorre após polêmica sobre vitória controversa e acusações de fraude eleitoral
O Festival Eurovision da Canção determinará durante uma reunião em Genebra nesta quinta-feira (04/12) se Israel participará da competição musical ou não. Organizadores e países participantes debaterão a permissão de Tel Aviv, em meio a protestos contra o genocídio perpetrado por seu governo em Gaza e acusações de práticas eleitorais fraudulentas.
Países como Irlanda, Espanha, Holanda e Eslovênia afirmaram que boicotarão o Festival caso Israel participe. A Alemanha indicou que se retirará do evento se Israel for excluído.
Os membros da União Europeia de Radiodifusão (UER) se reunirão para discutir novas regras destinadas a impedir que governos e terceiros promovam canções de forma desproporcional para influenciar os eleitores, após a controvérsia gerada pela competição deste ano na Suíça, onde o candidato israelense Yuval Raphael obteve uma vitória controversa na votação popular e terminou em segundo lugar na classificação geral.
No entanto, sua vitória provocou uma reação negativa de outros países, que afirmaram que o governo de Israel havia impulsionado artificialmente sua posição por meio de uma ampla campanha publicitária paga, incentivando pessoas em toda a Europa a votarem em sua música. Israel nega as acusações e alega enfrentar uma uma “campanha difamatória”.

Festival de música Eurovision acontecerá em Vienna, Áustria em 12, 14 e 16 de maio
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A emissora holandesa AVROTROS citou uma “grave violação da liberdade de imprensa” em Gaza como motivo para se opor à participação israelense. A RUV da Islândia afirmou que pressionará pela expulsão de Israel antes de decidir sobre sua própria participação. A emissora pública espanhola RTVE reiterou que boicotará o Eurovision se Tel Aviv permanecer na lista de participantes, com seu presidente, José Pablo López, declarando que o regime israelense “usou o concurso politicamente, tentou influenciar o resultado e não foi punido por essa conduta”.
A Eslovênia que está prestes a ficar de fora do concurso depois que seu parlamento aprovou um orçamento que exclui o financiamento ao festival de música. No entanto, a diretora da RTV Slovenija, Natasa Gorscak, observou que o país poderia voltar a participar se a assembleia votar pela proibição da participação de Israel.
As alterações nas regras de votação, destinadas a apaziguar alguns Estados-membros descontentes, são mais um sinal de que a União Europeia de Radiodifusão está inclinada a permitir que Israel permaneça na competição. Inicialmente, esperava-se que as emissoras votassem sobre o status de Tel Aviv em novembro, mas a UER adiou a decisão logo após o anúncio do acordo de cessar-fogo em 10 de outubro, transferindo o debate para sua assembleia geral nos dias 4 e 5 de dezembro.
Caso os membros não estejam convencidos de que as regras são adequadas, haverá uma votação sobre a participação, afirmou a EBU, sem mencionar Israel especificamente.
(*) com informações de Al Mayadeen























