Quarta-feira, 1 de julho de 2026
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Em comunicado publicado nesta terça-feira (23/06), o Partido Comunista de Israel e a Frente Democrática pela Paz e Igualdade (Hadash, da qual os comunistas fazem parte) denunciaram a detenção do ex-deputado Mohammad Barakeh, que também é ex-presidente do Alto Comitê de Acompanhamento para Cidadãos Árabes de Israel e membro da liderança da Frente (Aljabha/Hadash).

Representante do Hadash no Knesset (Parlamento israelense) entre 1999 e 2015, Barakeh foi mantido preso por pouco mais de duas horas, período em que foi interrogado, e depois libertado sob fiança.

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Segundo informações da imprensa local, o pedido de prisão foi justificado pelo suposto crime de “incitação ao terrorismo”, devido a um discurso proferido pelo líder político durante um ato do partido palestino Fatah, realizado em 2022, na cidade de Ramallah, na Cisjordânia.

O discurso que motivou a detenção aconteceu na época em que Barakeh era presidente do Alto Comitê de Acompanhamento para Cidadãos Árabes de Israel, entidade que trabalha na defesa dos direitos dos integrantes da comunidade árabe dentro do território israelense, e também nos territórios palestinos.

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Na ocasião, o discurso do líder comunista enfatizou o direito dos cidadãos palestinos da Cisjordânia em organizarem sua resistência contra as ocupações ilegais promovidas por colonos, muitas vezes com o patrocínio das autoridades israelenses.

No entanto, o magistrado Oded Moreno, do Tribunal de Petah Tikva, considerou que “há suspeitas razoáveis de que o crime foi cometido”. Ainda assim, ordenou a libertação de Barakeh mediante fiança e exclusão dos territórios palestinos ocupados por 30 dias.

Ademais, a Polícia israelense pediu ao Tribunal que proíba Barakeh de sair do território de Israel pelos próximos três meses, e que tenha seu passaporte e seus dois telefones celulares confiscados.

Nota de repúdio

Em seu comunicado, o Hadash alega que a detenção de Barakeh “revela claramente que o objetivo é intimidar as lideranças nacionais, criminalizar a posição política e golpear a liberdade de expressão, de organização e de ação popular” dos movimentos e das figuras que trabalham em favor da causa palestina.

Barakeh está sendo investigado em Israel por discurso proferido em 2022
Hadash

O comunicado também acusa “parlamentares da direita colonial, que são vistos pelas gangues de colonos descontroladas como seus representantes no Knesset e no governo”. O Hadash entende que esses setores seriam os responsáveis por promover um assédio judicial a Barakeh e outras figuras que atuam em favor dos palestinos.

“O que está acontecendo é uma tentativa fascista de apertar o cerco sobre a população árabe no país e sobre suas instituições representativas, lideradas pelo Alto Comitê de Acompanhamento, com o objetivo de silenciar a voz nacional e democrática que se opõe à ocupação, aos assentamentos e ao racismo”, diz o comunicado.

‘Sionismo está em pânico’

Em entrevista a Opera Mundi, o engenheiro civil Emir Mourad, secretário-geral da Confederação Palestina Latino-Americana e do Caribe (COPLAC), também condenou a detenção de Barakeh, ao considerá-la como “um escárnio absoluto” e “prova cabal de que o sionismo está em pânico e busca qualquer pretexto para perseguir quem não se curva”.

“O sistema judicial da ocupação não conhece a justiça; ele conhece apenas a vingança e o silenciamento. O Estado sionista quer conter a mobilização política dos palestinos nos territórios de 1948, mas só consegue expor sua própria fragilidade moral e seu caráter fascista”, acrescentou Mourad.

Para Mourad, “a libertação de Barakeh sob condições humilhantes impostas pela justiça israelense, como a proibição de circular em sua própria terra por 30 dias, é uma tentativa patética de impor um exílio interno. O ocupante acredita que pode isolar um líder de sua base, mas a resistência não respeita decretos militares ou fronteiras impostas pelo inimigo”.

“A perseguição a Mohammed Barakeh é um ataque direto a cada palestino e palestina. O terrorismo de Estado de Israel não tem o poder de apagar a legitimidade da causa palestina. Que cessem todas as restrições contra Barakeh e o fim da caça às bruxas contra as lideranças do povo palestino”, adicionou.

Mourad concluiu sua declaração convocando “todos os movimentos sociais, as forças progressistas e os defensores da justiça no Brasil a se unirem nesta trincheira contra o apartheid sionista. A nossa solidariedade é a arma mais poderosa que temos contra a opressão”.