Exército de Israel diz ‘evitar’ civis judeus e atirar contra palestinos que protestam na Cisjordânia
Segundo chefe das IDF, matar moradores por suspeita de 'terrorismo' é legítimo; em três anos, 1,5 mil foram assassinados na região
O chefe do Comando Central das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), major-general Avi Bluth, reconheceu, durante um fórum fechado, que o Exército sionista discrimina palestinos em relação a “judeus” na hora de aplicar as chamadas “políticas de segurança” por protestarem atirando pedras na Cisjordânia ocupada. A informação foi publicada pelo jornal israelense Haaretz nesta segunda-feira (04/05).
Segundo Bluth, citado pelo veículo, enquanto as IDF disparam com tiros letais contra manifestantes palestinos que, em protesto, atiram pedras às forças de ocupação, a mesma abordagem é considerada “problemática” quando aplicada a colonos “judeus”. Somente em 2025, 42 cidadãos palestinos na Cisjordânia ocupada foram mortos devido a esse aval dado pelo regime de Benjamin Netanyahu.
“Os soldados que atirarem contra judeus têm consequências sociológicas profundas”, afirmou o comandante, admitindo o duplo padrão.
O general israelense também detalhou a política de “agressão precisa” na chamada “linha de junção” entre Israel e a Cisjordânia ocupada, onde os soldados do regime sionista estão “autorizados a atirar” em supostos suspeitos palestinos no joelho ou abaixo, durante tentativas de prisão. O objetivo, segundo ele, é criar um efeito dissuasor chamado de “consciência de barreira”.
“Há muitos ‘monumentos mancando’ em vilarejos palestinos, daqueles que tentaram [entrar em Israel], então há um preço a ser pago”, declarou Bluth, referindo-se a palestinos baleados que ficaram com sequelas.
De acordo com o general, nos últimos três anos, as IDF mataram 1,5 mil palestinos na Cisjordânia ocupada, dos quais 96% foram considerados estarem supostamente “envolvidos em terrorismo”, incluindo menores de idade. O comandante destacou que o ato de atirar pedras configura “terrorismo”.
“Desses 1,5 mil mortos, 70% estavam armados. Os árabes entendem que ‘Se alguém vier te matar, mate-o primeiro’ é a norma no Oriente Médio, então estamos matando como não matamos desde 1967”, declarou.

O chefe do Comando Central das Forças de Defesa de Israel, major-general Avi Bluth, reconhece que soldados atiram contra palestinos que protestam e ‘poupam judeus’ na Cisjordânia ocupada
X/@IDF
Em seu discurso, Bluth também citou um caso recente, em que soldados israelenses atiraram e feriram adolescentes que jogavam pedras, sem saber que eram “judeus”. De acordo com ele, são preferíveis “meios não letais” para dispersar esse grupo.
“Um anarquista de 15 anos de Beit She’an, mentalmente perturbado, que jogou pedras em um jipe do exército à meia-noite. O policial que atirou e acertou nele no ombro não sabia que eram judeus até ouvi-los falando hebraico. Em outro incidente próximo a Givat Assaf, um policial atirou para eliminar uma ameaça, atingindo alguém no pescoço. Felizmente, os judeus não foram mortos”, afirmou.
Segundo o comandante, atualmente existem mais de quatro mil palestinos em detenção administrativa, localidades onde são decretadas prisões sem acusação ou julgamento, enquanto nenhum cidadão israelense está sujeito à mesma medida. “Comece por aí, e depois podemos falar sobre ordens de fogo aberto”, declarou Bluth.
Vale lembrar que organizações de direitos humanos, como B’Tselem e Anistia Internacional, já classificam as práticas de Israel na Cisjordânia icupada como crimes de guerra e apartheid.
























