Extremistas israelenses rejeitam 'Conselho da Paz' de Trump e querem retomar guerra em Gaza
Enquanto ministro da Segurança Nacional Ben-Gvir exige preparação para nova ofensiva 'com força tremenda', o ministro das Finanças Smotrich ataca a 'relutância' de Netanyahu em anexar território palestino
Membros da extrema-direita da coligação governamental de Israel rejeitaram neste domingo (18/01) o “Conselho da Paz”, plano apoiado e liderado pelos EUA para a governação pós-guerra em Gaza. Eles criticaram o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por não ter anexado o território palestino e por não ter estabelecido novos assentamentos israelenses na região.
Após a Casa Branca anunciar a escolha de líderes mundiais para a organização – que inclui representantes da Turquia e do Catar, ambos críticos da guerra de Israel –, o ministro das Finanças de extrema-direita, Bezalel Smotrich, descreveu a “relutância de Netanyahu em assumir a responsabilidade por Gaza” como “o pecado original”.
Smotrich, que é colono na Cisjordânia ocupada, defendeu que Netanyahu deveria, em vez disso, “estabelecer um governo militar lá, para incentivar a imigração e o assentamento, e dessa forma garantir a segurança de Israel por muitos anos”.
O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, pediu a Netanyahu que ordenasse às Forças de Defesa de Israel (FDI) que se preparassem “para retornar à guerra com força tremenda”, com o objetivo declarado de “destruir o Hamas”.

No domingo, numa aparente tentativa de acalmar os ânimos e avaliar os seus próximos passos, Netanyahu convocou uma reunião com os parceiros da coligação
Foto: @MarioNawfal
O primeiro-ministro israelense já havia se oposto ao plano no sábado (17/01), alegando que algumas das nomeações “não foram coordenadas com Israel e eram contrárias à sua política”, sem especificar quem. Ele instruiu seu ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa’ar, a entrar em contato com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
Presidido pelo próprio presidente dos EUA, Donald Trump, o Conselho da Paz, ou Conselho Executivo fundador, inclui figuras-chave que têm apoiado consistentemente as políticas e os objetivos militares de Israel.
Israel já se opôs veementemente a qualquer envolvimento da Turquia na Faixa de Gaza pós-guerra, e as relações entre os dois países deterioraram-se acentuadamente desde o início do conflito em outubro de 2023. Israel se opõe a qualquer papel para a Turquia, que é um dos principais críticos internacionais do massacre em Gaza.
Além do ministro das Relações Exteriores turco, Trump convidou para o conselho geral o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, o presidente do Brasil, Lula da Silva, o presidente do Egito, Abdel Fatah al-Sisi, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e o presidente da Argentina, Javier Milei.
A Casa Branca afirmou que o plano de Trump incluiria três órgãos: o conselho de paz, presidido por Trump; um comitê palestino de tecnocratas encarregado de governar Gaza; e o conselho executivo de Gaza, que desempenharia um papel consultivo.





















