Terça-feira, 20 de janeiro de 2026
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O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou nesta terça-feira (13/01) que mais de 18.500 pacientes na Faixa de Gaza precisam urgentemente serem transferidos para outros países para atendimento médico, em meio ao genocídio promovido por Israel. Deste número, cerca de 4 mil são crianças.

De acordo com o diretor-geral, a OMS já apoiou a evacuação de 18 pacientes e 36 acompanhantes de Gaza para a Jordânia na semana passada. Estes, segundo Tedros, receberam tratamento médico para ferimentos, câncer e outras doenças graves. Acrescentou ainda que, desde outubro de 2023, pelo menos 30 países trataram mais de 10.700 pacientes vindos do enclave. Instou, mesmo assim, mais nações a permitirem a entrada de pacientes.

Artistas, médicos e grupos de direitos humanos pedem acesso médico a Gaza

Uma reportagem publicada pelo jornal The Guardian nesta terça-feira informou que dezenas de artistas, incluindo nomes como Cynthia Nixon, Mark Ruffalo e Ilana Glazer, se juntaram a profissionais de saúde, líderes de direitos humanos e organizações humanitárias apelando para a restauração imediata do atendimento médico em Gaza. O pedido foi feito por meio de uma carta dirigida a Israel e à comunidade internacional. 

“Os ataques sistemáticos de Israel a hospitais e o bloqueio ilegal colapsaram o sistema de saúde de Gaza”, denunciou o texto. “Por meio de suas políticas e atividades militares, o governo de Israel deliberadamente impôs condições de vida calculadas para causar a destruição dos palestinos em Gaza e depois negou a própria ajuda que poderia salvá-los.”

Desta forma, a carta pediu o “acesso humanitário imediato, incondicional, sem impedimentos e sustentado à Palestina”, incluindo a entrada de equipes médicas e humanitárias. Além disso, pressionou para que líderes mundiais tomem “ação imediata” para restaurar e viabilizar o acesso médico dos pacientes em Gaza e na Cisjordânia, onde as crescentes restrições à circulação afetaram o acesso a cuidados médicos.

O documento é liderado por Wesam Hamada, mãe de Hind Rajab, uma menina de cinco anos da cidade de Gaza que foi morta por fogo israelense em janeiro de 2024 enquanto aguardava uma equipe de paramédicos, cuja ambulância foi bombardeada. 

Posteriormente, a história de Hind foi homenageada no filme The Voice of Hind Rajab, do diretor tunisiano Kaouther Ben Hania, que foi finalista do Oscar. Ao Guardian, ele disse que “Hind Rajab não morreu porque a ajuda era impossível, mas porque foi negada”. Ben Hania também assinou a carta.

Outros signatários incluem Brian Eno, Rosie O’Donnell e Morgan Spector. A organização israelense B’Tselem e Médicos pelos Direitos Humanos também estão entre os grupos de direitos humanos que assinaram o apelo, que será apresentado diretamente a líderes do Reino Unido e da União Europeia em reuniões parlamentares nesta semana.

Proibição de agências humanitárias

No fim do ano passado, Israel proibiu dezenas de agências de ajuda humanitária a trabalharem na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, incluindo o Médicos Sem Fronteiras (MSF). O MSF afirmou que costumava apoiar um em cada cinco leitos hospitalares em Gaza e uma em cada três mães durante o parto.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU estima que 94% dos hospitais no território palestino foram danificados ou destruídos desde outubro de 2023, quando o regime sionista passou a intensificar seus ataques. Pelo menos 1.722 profissionais de saúde foram mortos pelo exército israelense ao longo de dois anos, segundo o órgão.

As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), por sua vez, afirmaram, em comunicado, que “as alegações de que estão deliberadamente impedindo que equipes médicas tratem civis feridos são completamente infundadas”.