As autoridades de saúde da Faixa de Gaza contabilizaram 73.651 palestinos mortos e 174.592 feridos desde o início da ofensiva israelense, em 7 de outubro de 2023. O balanço atualizado neste domingo (06/09) mostra que a violência continua mesmo após o cessar-fogo de outubro de 2025: 1.344 palestinos morreram desde o início da trégua, segundo dados divulgados pela agência palestina Wafa.
Em declaração divulgada pela Presidência palestina e reproduzida pela agência de notícias, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou que a prioridade é “o cessar-fogo, entrada de ajuda, libertação de todos os reféns e prisioneiros e a retirada israelense completa da Faixa de Gaza”, seguida pela transferência das responsabilidades para o Estado da Palestina e pela reconstrução.
Nos últimos dias, os ataques israelenses continuaram em diferentes pontos do território. No final de agosto, quando o número acumulado era de 73.456 mortos, ataques contra a Cidade de Gaza deixaram pelo menos cinco palestinos mortos.
A emissora latina Telesur informou ainda que entre quatro e cinco mil palestinos permanecem desaparecidos e podem estar mortos sob os escombros, segundo o Centro Palestino para Pessoas Desaparecidas e Desaparecidas à Força.
Neste final de semana, os hospitais receberam 17 feridos e 17 corpos em 48 horas. As autoridades também registraram a inclusão de 160 mortos na contagem acumulada durante agosto, após a conclusão e verificação dos dados das vítimas.
A contagem não inclui necessariamente todas as pessoas mortas. As autoridades palestinas afirmam que as vítimas continuam sob os escombros e em estradas, sem que equipes de resgate consigam chegar a elas.
A violência perpetrada pelo governo de Benjamin Netanyahu resultou em uma acusação de genocídio em trâmite na Corte Internacional de Justiça (CIJ). Por sua vez, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão contra o premiê israelense e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
A Organização das Nações Unidas (ONU) defende que a reconstrução de Gaza seja acompanhada de uma solução política que reúna Gaza e Cisjordânia sob um único governo palestino e ponha fim à ocupação israelense, em direção à solução de dois Estados.
No entanto, a retirada das forças israelenses de Gaza permanece como um dos pontos centrais do plano internacional para o território. Em 26 de agosto, o coordenador interino da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Ramiz Alakbarov, afirmou ao Conselho de Segurança que as negociações para implementar a resolução 2803 e o plano abrangente para Gaza continuam, mas que o cessar-fogo permanece frágil.
A proposta prevê o desarmamento do Hamas e de outros grupos armados palestinos, retirada progressiva das forças israelenses, uma força internacional de estabilização e transferência da administração civil para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza.
O plano aprovado pelo Conselho de Segurança também prevê a reconstrução do território e uma transição para uma administração palestina. A proposta internacional estabelece que Gaza deve permanecer vinculada à Cisjordânia e que a solução política deve conduzir ao fim da ocupação e à criação de um Estado palestino.
A situação no terreno, porém, permanece diferente do previsto no acordo. Em 2 de setembro, o representante permanente da Palestina na ONU, Riyad Mansour, afirmou que Israel ocupa atualmente cerca de 70% da Faixa de Gaza e tenta anexar aproximadamente 60% da Cisjordânia. Segundo ele, o governo israelense estaria executando um plano para ampliar o controle sobre terras palestinas.
A Autoridade Palestina defende que Gaza seja reintegrada à Cisjordânia sob uma única autoridade palestina legítima, como parte de um Estado palestino soberano. A posição está alinhada à Declaração de Nova York, apoiada pela Assembleia Geral da ONU, que prevê a unificação política, territorial e administrativa de Gaza e Cisjordânia e rejeita ocupação, deslocamento forçado e redução do território palestino.
O governo brasileiro também sustenta a retirada das forças israelenses e a criação de um Estado palestino. Em abril de 2025, o chanceler Mauro Vieira afirmou que a solução deveria assegurar a “retirada total das forças israelenses de Gaza”, além da libertação dos reféns. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou posteriormente que não haverá paz sem um Estado palestino independente e viável, convivendo com Israel.