Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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A economia palestina está passando por uma grave recessão, provocada pelo contínuo ataque de Israel a Gaza, pelo aumento das restrições à circulação e ao comércio na Cisjordânia ocupada e por um declínio acentuado nos recursos financeiros, tanto internos quanto externos.

Um relatório conjunto do Escritório Central de Estatísticas da Palestina (PCBS) e da Autoridade Monetária da Palestina (PMA), publicado no Monitor Econômico Palestino de 2025, constatou que a economia permaneceu mergulhada em profunda recessão durante todo o ano.

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Segundo o relatório, o Produto Interno Bruto (PIB) de Gaza sofreu uma contração catastrófica de 84% em 2025 na comparação com 2023, enquanto o da Cisjordânia ocupada registrou uma queda de 13% no mesmo período. Os níveis gerais do PIB permanecem muito abaixo dos patamares pré-guerra, o que evidencia a fragilidade de qualquer recuperação potencial e a incapacidade da economia de retomar a capacidade produtiva nas condições atuais.

O relatório documentou um colapso quase total da atividade econômica em Gaza e fortes contrações na maioria dos setores da Cisjordânia – que, apesar de tudo, registraram uma ligeira melhora em comparação com 2024. Também registrou um declínio nos volumes de comércio de e para a Palestina em comparação com 2023, enquanto o desemprego em Gaza ultrapassou 77% em 2025.

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Receitas retidas e dívida crescente

Além dos indicadores macroeconômicos, a crise se manifesta de forma aguda nas contas públicas. O ministro da Economia palestino, Mohammed al-Amour, afirmou que as autoridades israelenses estão retendo aproximadamente US$ 4,5 bilhões (R$ 24.9 bilhões) em receitas alfandegárias palestinas, descrevendo a medida como uma forma de “punição coletiva” que prejudicou gravemente a capacidade de funcionamento da Autoridade Palestina (AP).

“A dívida pública acumulada total atingiu US$ 14,6 bilhões (R% 80,9 bilhões) no final de novembro de 2025, representando 106% do produto interno bruto de 2024”, disse al-Amour à emissora catari Al Jazeera.

O ministro afirmou que a dívida inclui:

  • US$ 4,5 bilhões (R$ 24.9 bilhões) devidos ao Fundo Monetário Internacional;
  • US$ 3,4 bilhões (R$ 18,9 bilhões) ao setor bancário palestino;
  • US$ 2,5 bilhões (R$ 13.8 bilhões) em salários atrasados de funcionários públicos;
  • US$ 1,6 bilhão (R$ 8.8 bilhões) devidos ao setor privado;
  • US$ 1,4 bilhão (R$ 7.7 bilhões) em dívida externa;
  • US$ 1,2 bilhão (R$ 6.6 bilhões) em outras obrigações financeiras.
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“Essas pressões tiveram um impacto direto no desempenho geral do orçamento público”, disse al-Amour, contribuindo para um déficit crescente e uma capacidade drasticamente reduzida de cobrir despesas operacionais e compromissos essenciais. Dessa forma, a economia palestina está atravessando “seu período mais difícil” desde a criação da Autoridade Palestina em 1994.

As estimativas oficiais mostram que o PIB contraiu 29% no segundo trimestre de 2025, em comparação com 2023, enquanto o PIB per capita caiu 32% no mesmo período. Esses números estão em consonância com um relatório recente da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), que concluiu que a economia palestina regrediu a níveis vistos pela última vez há 22 anos.

“O governo está implementando uma série de ações que incluem o fortalecimento do sistema de proteção social, o apoio à resiliência dos cidadãos na Área C [da Cisjordânia] e o apoio às pequenas e médias empresas e aos setores produtivos, particularmente a indústria e a agricultura”, disse al-Amour.

Os dados oficiais mostram uma queda acentuada em quase todas as atividades econômicas. A construção civil contraiu 41%, enquanto a indústria e a agricultura registraram quedas de 29% cada. O comércio atacadista e varejista caiu 24%.

O setor de turismo foi um dos mais afetados. Após o início da guerra de Israel contra Gaza, em outubro de 2023, amplamente caracterizada como genocida pelas autoridades e sociedade civil palestinas, e por diversos organismos internacionais e especialistas em direito, o Ministério do Turismo relatou perdas diárias superiores a US$ 2 milhões, com o turismo receptivo praticamente em colapso. Estima-se que, até o final de 2024, as perdas acumuladas cheguem a aproximadamente US$ 1 bilhão (R$ 5.5 bilhões).

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O Instituto Palestino de Pesquisa de Política Econômica (MAS), citando dados do PCBS, relatou uma queda de 84,2% na ocupação hoteleira na Cisjordânia durante o primeiro semestre de 2024, em comparação com o mesmo período do ano anterior. As perdas apenas nos serviços de hospedagem e alimentação totalizaram cerca de US$ 326 milhões (R$ 1,8 bilhão).

Apesar da recessão, al-Amour afirmou que o Ministério da Economia está focado em sustentar o setor privado, substituir importações israelenses em sete setores-chave, desenvolver as economias digital e verde e aprimorar o ambiente de negócios. Ele observou que cerca de 2.500 novas empresas continuam sendo registradas a cada ano.