Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Um dos principais jornais israelenses, o Haaretz publicou no último domingo (10/11) um editorial afirmando que o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, promove uma limpeza étnica contra os palestinos no norte da Faixa de Gaza.

Intitulado “A limpeza étnica de Netanyahu em Gaza está em exibição para todos verem”, o texto opinativo não assinado por nenhum dos autores do periódico fez a acusação após o correspondente militar do Haaretz Yaniv Kubovich realizar uma visita no local.

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“O exército israelense está conduzindo uma operação de limpeza étnica no norte da Faixa de Gaza. Os poucos palestinos restantes na área estão sendo evacuados à força, casas e infraestrutura foram destruídas, e estradas largas na área estão sendo construídas e completando a separação das comunidades no norte da Faixa do centro da Cidade de Gaza”, escreve o jornal.

Kubovich, por sua vez, concluiu que “a área parece ter sido atingida por um desastre natural”, quando, na verdade, está sob intensa ofensiva do exército israelense desde 7 de outubro de 2023.

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Com acesso completo ao editorial do Haaretz, o jornal Middle East Eye relata que o texto ainda traz a declaração de um oficial sênior das Forças de Defesa Israelenses (FDI, como é chamado o exército do país) sobre sua função na região: “criar um espaço limpo”.

“Estamos movendo a população para sua proteção, a fim de criar liberdade de ação para nossas forças”, acrescentou o oficial identificado como Brigadeiro-General Itzik Cohen, comandante da 162ª Divisão.

O periódico israelense relembra que as forças armadas do país impediram a entrada de ajuda humanitária, como alimentos, água e remédios para o norte de Gaza por diversas semanas no início de outubro passado, culpando diretamente Netanyahu pela situação de fome na região do enclave.

World Economic Forum/Flickr
Haaretz vive fase de tensões com o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu

“É importante chamar as coisas pelos seus nomes”, apontando que os comandantes da FDI forçam a retirada de civis palestinos de suas terras porque estão “subordinados às diretrizes da liderança política: o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu”.

“Em vez de falar sobre o ‘Plano dos Generais’ [estratégia que inclui limpeza étnica e assassinato dos palestinos que resistirem] deveríamos falar sobre as Ordens de Netanyahu”, conclui o editorial.

O Haaretz vive uma fase de tensões com o governo Netanyahu, em especial após um de seus editores e chefe, Amos Schocken, declarar que Tel Aviv está “lutando contra os combatentes da liberdade palestinos que chama de terroristas”, referindo-se ao Hamas em Gaza.

Após as declarações de Shocken, o jornal publicou um editorial contrariando as afirmações, uma vez que elas fizeram o ministro das Comunicações de Israel, Shlomo Karhi, solicitar uma série de restrições governamentais contra o Haaretz.

Entre as medidas, o chefe da pasta solicitou a não-realização de futuros contratos, não-fornecimento de assinaturas do jornal a funcionários públicos ou mesmo a renovação dos contratos já existentes.

Já os ministérios do Interior, Educação e Assuntos da Diáspora anunciaram que cortariam laços com o jornal após comentários feitos por Schocken. O Haaretz também sofreu ameaças de boicote financeiro pela agência de publicidade do governo israelense (Government Advertising Bureau) e restrição de suas operações pela Procuradoria-Geral do país.

(*) Com Monitor do Oriente Médio

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