Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Uma investigação do Haaretz, baseada em depoimentos de soldados das Forças de Defesa de Israel, fontes em Gaza e imagens de satélite, revela como Israel está cultivando uma rede de milícias armadas em Gaza. Segundo a reportagem, a missão dos soldados era uma “atividade coordenada” em Khan Yunis, formados por militares israelenses e membros de uma milícia palestina opositora ao Hamas.

As IDF e o Shin Bet apoiam as milícias devido à oposição delas a Resistência Islâmica Palestina, “mantendo laços estreitos”. O jornal observa uma “sinergia baseada em interesses mútuos” e relembra a fala de Netanyahu no ano passado: “Qual o problema nisso? É bom”.

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Além disso, fontes em Gaza também afirmaram que as IDF chegaram a fornecer apoio de artilharia e drones aos milicianos durante operações contra o Hamas, mas as milícias também atuam contra habitantes de Gaza que tentam sobreviver, segundo a reportagem.

Testemunhas relataram ao Haaretz que milicianos circulam livremente por postos avançados das IDF em Gaza, e um oficial que serviu no enclave afirmou ter visto “muitos milicianos” em visitas a postos militares.

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Nos últimos meses, o jornal documentou o cultivo dessas milícias por Israel, observando que “as evidências pintam um quadro claro: as milícias armadas palestinas se tornaram um braço operacional das IDF e do Shin Bet dentro de Gaza”.

Soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF) operando na Faixa de Gaza em julho de 2014. (Foto: IDF spokesman Unit)

Soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF) operando na Faixa de Gaza em julho de 2014.
(Foto: IDF spokesman Unit)

O oficial da Força Aérea que falou com a reportagem enfatizou: “Você vê o Estado de Israel, as Forças de Defesa de Israel e o Shin Bet enviando milícias armadas e treinadas para cometer crimes de guerra, e eu sou quem tem que protegê-las durante as operações para que não se machuquem”.

Além disso, Haaretz relembra que o projeto de milícias em Gaza já tem um histórico, como foi noticiado que Tel Aviv estava considerando “ativar clãs como um órgão governamental alternativo ao Hamas”, ainda nos primeiros estágios da guerra, no contexto da oposição do governo israelense ao retorno da Autoridade Palestina a Gaza.

Atualmente, cinco grupos armados — como Forças Populares e Força de Ataque Antiterrorista — operam em áreas sob controle das IDF (Beit Hanoun, Shujaiyeh, Deir al-Balah, Khan Yunis e Rafah), e o Haaretz identificou atividade de milícias em um sexto local.

Imagens de satélite mostram que as bases das milícias ficam a centenas de metros dos postos das IDF, com indicativos de chamada na rede de rádio, presença em mapas de informações e identificação de seus homens nos sistemas de comando e controle. Também mostram fortificações nos complexos — como em Shujaiyeh, onde um cemitério foi substituído por área de treinamento —, com barreiras de concreto semelhantes às das IDF. Soldados disseram a reportagem que o Exército construiu complexos temporários com estruturas móveis.

Ainda acrescentaram que as milícias atuam em operações das IDF, sendo enviadas a áreas de difícil acesso no território do Hamas, inclusive para recuperar drones de contrabando. “Eles recebem ordens: tragam o drone e fiquem com tudo o que estiver dentro” — armas ou drogas, levam tudo, afirmou um oficial da Força Aérea.

Fontes em Gaza também observaram que alguns milicianos são ex-membros das forças de segurança da Autoridade Palestina.

Comandantes das IDF e oficiais de defesa afirmaram não pretender transformar as milícias em um governo alternativo ao Hamas, reconhecendo suas limitações: “Elas não têm capacidade para tomar o controle do Hamas e, sem apoio das IDF, não sobreviverão”, disse um oficial. Os comandantes descrevem as milícias como uma solução temporária e localizada.

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