Quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
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O Hamas condenou nesta quinta-feira (22/01) a inclusão do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no chamado “Conselho da Paz”, presidido pelo mandatário norte-americano Donald Trump, que propõe inicialmente supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza, como parte da segunda fase do acordo de cessar-fogo.

Segundo o grupo palestino, trata-se de “um indicador perigoso” que contradiz os princípios de justiça, já que o próprio premiê israelense é alvo de um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra e contra a humanidade no enclave.

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Em seu comunicado, o Hamas afirmou que a estabilidade regional apenas pode ser alcançada com o “fim permanente” do projeto de ocupação de Israel, além de responsabilizar todos os culpados no genocídio em curso e na fome sistemática dos palestinos, “particularmente o criminoso de guerra Benjamin Netanyahu”. 

No entanto, o movimento destacou que o regime sionista tem violado diversas vezes o acordo de cessar-fogo, apesar de sua implementação em outubro passado: “a ocupação sionista criminosa é a causa principal do terrorismo”,

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“O criminoso de guerra Netanyahu continua a sabotar o acordo de cessar-fogo em Gaza e a cometer as violações mais hediondas, incluindo ataques a civis desarmados, destruição de bairros e instalações públicas e ataques a abrigos”, denunciou. “A ocupação sionista criminosa é a raiz do terrorismo e sua continuidade constitui uma ameaça direta à segurança e à estabilidade regional e internacional.” 

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, aceitou convite de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, para integrar ‘Conselho da Paz’ para Gaza
RS/via Fotos Publicas

‘Desrespeito descarado’ ao direito internacional

Nesta quinta-feira, a Anistia Internacional declarou que a criação do “Conselho da Paz” para a Faixa de Gaza expõe “um desrespeito descarado pelo direito internacional e pelos direitos humanos”, representando também um “ataque crescente nos mecanismos das Nações Unidas” è as normas universais.

“É um tapa na cara de décadas de esforços para fortalecer a governança global por meio da adesão a valores universais e maior igualdade entre os Estados-membros, e prejudica esforços legítimos para enfrentar as limitações e lacunas do sistema atual”, escreveu, em comunicado.

No mesmo dia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente a sua iniciativa, ainda vista com desconfiança por boa parte da comunidade internacional e que exclui representantes palestinos.

A cerimônia, realizada em Davos, na Suíça, teve a participação de duas dezenas de líderes que já aderiram ao projeto, como o presidente da Argentina, Javier Milei, e o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.

Na Europa, países como França, Noruega e Suécia já anunciaram que rejeitaram o convite, enquanto Alemanha, Itália e Reino Unido veem o projeto com reticência e não participaram da cerimônia em Davos. Brasil, China e Rússia também hesitam em aderir. Outro convidado é o papa Leão XIV, que ainda não respondeu.

(*) Com Ansa