Hamas condena Netanyahu no ‘Conselho da Paz’ para Gaza: ‘causa principal do terrorismo’
Grupo palestino declarou que estabilidade regional apenas pode ser alcançada com fim permanente de ataques e responsabilização dos criminosos de guerra
O Hamas condenou nesta quinta-feira (22/01) a inclusão do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no chamado “Conselho da Paz”, presidido pelo mandatário norte-americano Donald Trump, que propõe inicialmente supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza, como parte da segunda fase do acordo de cessar-fogo.
Segundo o grupo palestino, trata-se de “um indicador perigoso” que contradiz os princípios de justiça, já que o próprio premiê israelense é alvo de um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra e contra a humanidade no enclave.
Em seu comunicado, o Hamas afirmou que a estabilidade regional apenas pode ser alcançada com o “fim permanente” do projeto de ocupação de Israel, além de responsabilizar todos os culpados no genocídio em curso e na fome sistemática dos palestinos, “particularmente o criminoso de guerra Benjamin Netanyahu”.
No entanto, o movimento destacou que o regime sionista tem violado diversas vezes o acordo de cessar-fogo, apesar de sua implementação em outubro passado: “a ocupação sionista criminosa é a causa principal do terrorismo”,
“O criminoso de guerra Netanyahu continua a sabotar o acordo de cessar-fogo em Gaza e a cometer as violações mais hediondas, incluindo ataques a civis desarmados, destruição de bairros e instalações públicas e ataques a abrigos”, denunciou. “A ocupação sionista criminosa é a raiz do terrorismo e sua continuidade constitui uma ameaça direta à segurança e à estabilidade regional e internacional.”

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, aceitou convite de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, para integrar ‘Conselho da Paz’ para Gaza
RS/via Fotos Publicas
‘Desrespeito descarado’ ao direito internacional
Nesta quinta-feira, a Anistia Internacional declarou que a criação do “Conselho da Paz” para a Faixa de Gaza expõe “um desrespeito descarado pelo direito internacional e pelos direitos humanos”, representando também um “ataque crescente nos mecanismos das Nações Unidas” è as normas universais.
“É um tapa na cara de décadas de esforços para fortalecer a governança global por meio da adesão a valores universais e maior igualdade entre os Estados-membros, e prejudica esforços legítimos para enfrentar as limitações e lacunas do sistema atual”, escreveu, em comunicado.
No mesmo dia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente a sua iniciativa, ainda vista com desconfiança por boa parte da comunidade internacional e que exclui representantes palestinos.
A cerimônia, realizada em Davos, na Suíça, teve a participação de duas dezenas de líderes que já aderiram ao projeto, como o presidente da Argentina, Javier Milei, e o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.
Na Europa, países como França, Noruega e Suécia já anunciaram que rejeitaram o convite, enquanto Alemanha, Itália e Reino Unido veem o projeto com reticência e não participaram da cerimônia em Davos. Brasil, China e Rússia também hesitam em aderir. Outro convidado é o papa Leão XIV, que ainda não respondeu.
(*) Com Ansa























