Hamas denuncia 'crime jurídico' após Israel aprovar lei que facilita colonização na Cisjordânia
Projeto aprovado no Parlamento permite compra direta de terras por colonos e revoga legislação jordaniana; grupo palestino exige ação imediata da ONU e Liga Árabe
O grupo de resistência palestino, Hamas, repudiou veemente nesta quarta-feira (26/11) a aprovação do projeto de lei do Knesset, parlamento israelense, que permitiria aos israelenses comprar terras diretamente na Cisjordânia ocupada, alegando que “constitui um novo crime que viola o estatuto jurídico da Cisjordânia como território palestino ocupado” e exigiu a Liga Árabe e a ONU a tomarem medidas para “confrontar as flagrantes violações”.
“Afirmamos que todas as medidas da ocupação destinadas a judaizar a Cisjordânia e Jerusalém e a expulsar sua população nativa são nulas, sem efeito e ilegítimas. Elas não conseguirão alterar a identidade palestina da terra e o direito inalienável do nosso povo a ela”, declarou o movimento em comunicado.
O gabinete de imprensa do Knesset afirmou: “A Comissão de Assuntos Externos e Defesa, presidida por Boaz Bismuth, aprovou o projeto de lei ‘Fim da Discriminação’ na compra de propriedades na Judeia e Samaria”, nomes bíblicos utilizados por Israel para se referir ao território ocupado ilegalmente. Acrescentou ainda que “quatro membros do Knesset apoiaram o projeto de lei sem oposição”.
A proposta legislativa foi apresentada em conjunto pelo deputado Yuli Edelstein, do Partido Likud, por Limor Son Har-Melech, do Partido Otzma Yehudit, e por Moshe Solon, do Partido Sionismo Religioso. Segundo a assessoria de imprensa do Knesset, a medida foi aprovada com quatro votos a favor e nenhum contra, embora o número total de membros da comissão presentes não tenha sido especificado.
Segundo as regras do parlamento israelense, os projetos de lei são aprovados em nível de comissão por maioria dos membros presentes, independentemente do quórum. A assessoria de imprensa também não deu nenhuma indicação de quando a proposta será levada ao plenário do Knesset para sua primeira leitura. A lei israelense exige três leituras para que qualquer projeto de lei seja promulgado.

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Segundo o projeto de lei, a nova lei “revoga a lei jordaniana sobre o aluguel e a venda de propriedades a estrangeiros”, que está em vigor na Cisjordânia desde 1953 e impede que pessoas que não sejam jordanianas, palestinas ou árabes possuam terras.
Diante da grave violação, Hamas solicitou o apoio da Liga Árabe, a ONU e suas instituições para “tomarem medidas imediatas e eficazes para confrontar essas flagrantes violações das resoluções da ONU relativas à Cisjordânia ocupada e a compelir o governo de ocupação israelense a interromper seus projetos de assentamentos e a contínua agressão contra o nosso povo palestino, nossa terra e nossos locais sagrados”, concluiu o pronunciamento.
Israel intensifica ofensiva na Cisjordânia
As Forças de Defesa de Israel (IDF) informaram que iniciaram uma grande operação no norte da Cisjordânia durante a madrugada de quarta-feira (26/11). O Centro de Informação Palestino revelou que vários helicópteros de ataque cercaram a região, que também inclui Nablus, e entraram na cidade palestina de Tubas, localizada a sudeste de Jenin. Atualmente, mais de 50.000 palestinos vivem nas cinco cidades agora cercadas pelo Exército.
Moradores relataram à emissora catari Al Jazeera que tratores militares empilharam terra em todas as vias de acesso antes do amanhecer, enquanto helicópteros Apache israelenses disparavam projéteis sobre campos vazios ao redor de Tubas, numa clara estratégia de terror contra a população civil palestina.
O governador de Tubas, Ahmed Asaad, afirmou que cerca de 30 famílias foram forçadas a deixar suas casas e que as tropas tomaram vários prédios em terrenos elevados com vista para a província.























