Hamas denuncia ‘violações flagrantes e ultrajantes’ de Israel em cessar-fogo
Segundo Ghazi Hamad, líder do grupo palestino, forças israelenses cometeram cerca de 25 descumprimentos por dia desde implementação do acordo; EUA disse ‘analisar’ ofensivas
Ghazi Hamad, um dos líderes do grupo de resistência palestino Hamas, denunciou nesta terça-feira (16/12) as “violações flagrantes e ultrajantes” que Israel tem cometido contra o cessar-fogo na Faixa de Gaza.
Segundo o representante palestino, Israel manipulou o texto do acordo de cessar-fogo e praticamente nenhuma cláusula deixou de ser violada ou alterada.
“Israel não tem o direito de atacar as forças de resistência durante a implementação do cessar-fogo, mas, apesar disso, os sionistas continuam suas ofensivas sem apresentar qualquer prova ou razão válida”, declarou.
Segundo Hamad, desde que o cessar-fogo entrou em vigor, “Israel registrou mais de 813 violações do acordo, o que dá uma média de 25 violações por dia”. Em detalhe, informou que desde a implementação do acordo, quase 400 palestinos foram martirizados, dos quais mais de 95% eram civis. “Destes, 36% são crianças e 15% são mulheres”, acrescentou.
Já em relação aos feridos, o líder disse que 991 palestinos foram atingidos, dos quais 334 são crianças (33%), 210 são mulheres (22%), 51 são idosos (5%) e 144 são homens civis (39%). Por outro lado, a estatística do ferimento das forças de resistência não ultrapassa 1%, “o que demonstra claramente que a maioria das vítimas são civis”, declarou.
Hamad também falou sobre a destruição generalizada de residências, afirmando que o regime israelense vem destruindo áreas residenciais diariamente e já demoliu 145 casas com o objetivo de transformar essas áreas em locais inabitáveis e impróprios para moradia dos palestinos.
O líder ainda abordou a situação da ajuda humanitária, que ainda sofre “severas restrições” por parte de Tel Aviv. Segundo ele, sob o pretexto de um suposto desvio de suprimentos pelo Hamas, Israel impediu a entrada de muitos itens básicos, alimentos, itens médicos, e até mesmo barracas de abrigo, além de usar a ajuda humanitária como “instrumento de pressão”.
Enquanto isso, segundo fontes internacionais, milhares de toneladas de ajuda humanitária pertencentes a organizações e instituições como a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) estão retidas nas fronteiras de Gaza, impedidas por Israel.

Segundo Hamas, Israel matou 400 palestinos desde início do cessar-fogo em Gaza
idfonline/X
Por outro lado, citando depoimento dos mediadores do cessar-fogo, garantiu que o Hamas “não tomou nenhuma ação que violasse o acordo e cumpriu integralmente todos os seus compromissos”.
De acordo com Hamad, o acordo previa a formação de um comitê de investigação para eventuais violações, mas denunciou que Israel “também não cumpriu essa promessa”.
EUA dizem “analisar” violação de Israel
A possibilidade das violações israelenses serem investigadas ressurgiu nesta segunda-feira (15/12), com uma declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em coletiva de imprensa na Casa Branca, o republicano foi questionado se o ataque promovido pelas Forças de Defesa Israelenses (IDF, na sigla em inglês, como é chamado o exército do país) no último sábado (13/12) poderia ser considerado como uma violação ao acordo de cessar-fogo em Gaza.
Em resposta, o mandatário disse “vamos ter que ver, estamos analisando isso”, sem mais detalhes ou declarações explícitas sobre a abertura de uma investigação oficial.
A ofensiva lançada pelas IDF matou Raed Saad, vice-comandante da ala militar do Hamas e apontado por Israel como um dos arquitetos dos ataques de 7 de outubro de 2023. A autoridade da resistência estava em seu carro, quando foi alvejado perto da praça al-Nabulsi, na zona oeste da Cidade de Gaza.
Segundo o portal norte-americano Axios, autoridades norte-americanas afirmaram que o governo de Israel não notificou, nem consultou Washington antes da ofensiva. Assim, disse que os EUA “teriam enviado uma dura mensagem privada ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu” em relação à violação do acordo.
Contudo, na mesma coletiva de imprensa Trump refutou o envio da mensagem reportada pelo Axios e o estremecimento nas relações com Israel. “Estamos nos dando muito bem. Minha relação com Bibi [Benjamin] Netanyahu tem sido, obviamente, ótima”.
Para respaldar o fortalecimento das relações entre Tel Aviv e Washington, Trump mencionou as ações conjuntas que “derrubaram o Irã” e “eliminaram a ameaça nuclear iraniana”. “E por causa disso, pudemos produzir paz no Oriente Médio. Temos uma ótima relação com Israel. Na verdade, temos uma ótima relação com todos na região”.
(*) Com Ansa, Tasnim News Agency, informações de Al Jazeera e Middle East Eye
























