Hamas discute violações israelenses após cessar-fogo com chefe da inteligência egípcia
Grupo reafirma compromisso com implementação da primeira fase da trégua e exige interferência de mediadores para conter agressões de Israel
Uma delegação do Hamas se reuniu neste domingo (23/11) com o chefe da inteligência egípcia, Hassan Rashad, no Cairo, para discutir as “violações contínuas” de Israel ao acordo de cessar-fogo em Gaza. O grupo de resistência reafirmou seu compromisso com a implementação da primeira fase do acordo, mediado por Egito, Catar e Estados Unidos, mas alertou que as ações israelenses “ameaçam minar o pacto”.
Segundo a Al Jazeera, um dos líderes da organização exilado em Gaza, Khalil al-Hayya, exigiu dos mediadores da trégua a criação de um “mecanismo claro e definido” para registrar e interromper as violações. Também foi discutida a situação dos combatentes escondidos em redes de túneis em Rafah, nas áreas controladas por Israel, que tiveram sua comunicação cortada.
O encontro aconteceu um dia após ataques israelenses destruírem casas e abrigos improvisados em diversas regiões da Faixa de Gaza, levando à morte, ao menos, de 12 palestinos no último sábado (22/11). O exército israelense alegou que a operação teve como alvo um membro do Hamas que supostamente teria atacado soldados israelenses. A organização rejeita as acusações e diz que Israel busca “um pretexto para matar” os palestinos na região.

Hamas discute violações israelenses ao cessar-fogo com chefe da inteligência egípcia
Jaber Jehad Badwan / Wikipedia Commons
Violações
Segundo o Escritório de Mídia do Governo de Gaza, 497 violações israelenses foram contabilizadas desde o cessar-fogo firmado em 10 de outubro; e neste período, 342 pessoas foram mortas pelas forças israelenses.
A reportagem destaca que a primeira etapa do acordo previa a troca de prisioneiros e a entrega de ajuda humanitária, além da abertura da travessia de Rafah com o Egito.
O Hamas libertou todos os israelenses sequestrados e devolveu dezenas de corpos, com exceção de três ainda não identificados sob os escombros. Israel, por sua vez, libertou quase 2.000 palestinos, mas vem impondo restrições às travessias da fronteira e à entrega da ajuda humanitária.
Para a segunda fase do cessar-fogo está prevista a criação de um comitê palestino tecnocrático, com supervisão de um “conselho da paz” liderado pelo presidente norte-americano Donald Trump. Ficou a cabo deste conselho implementar uma Força Internacional de Estabilização temporária e desmilitarizar a região.
O Hamas, no entanto, afirma que não deporá as armas enquanto os termos do acordo não forem cumpridos, o que significa o fim dos ataques e da ocupação israelense no território, e a garantia de que nenhum palestino seja expulso de suas terras novamente.























