Investigação israelense não encontra provas contra procuradora no vazamento de abuso sexual em prisão
Yifat Tomer-Yerushalmi foi investigada após vídeo vazado revelar violências sistemáticas contra palestinos em centro de detenção
Fontes policiais disseram ao Haaretz nesta terça-feira (25/11) que nenhuma evidência foi encontrada no telefone da ex-procuradora-geral militar Yifat Tomer-Yerushalmi que indique que a procuradora-geral Gali Baharav-Miara tivesse conhecimento ou envolvimento nas ações daquela que estão sendo investigadas.
O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, afirmou que o telefone da Tomer-Yerushalmi continha provas de seu envolvimento. “Há informações no telefone [da Procuradora-Geral] que a incriminam, que [ela] sabia quem vazou as informações”, disse ele. Nesta manhã, ele também reiterou sua alegação em uma entrevista à emissora de direita Galei Israel. Quando questionado pelo entrevistador se estava convidando o procurador-geral a processá-lo caso sua alegação fosse comprovadamente falsa, ele respondeu: “Claro que sim”.
Tomer-Yerushalmi é acusada de vazar vídeos da penitenciária de Sde Teiman em 2024, mostrando abusos sexuais contra um prisioneiro palestino, e de acobertar seus atos e obstruir a investigação sobre o vazamento. Segundo o Times Of Israel, seu celular foi encontrado no mar em 7 de novembro, dias depois de ela ter sido localizada em uma praia de Tel Aviv após ficar desaparecida por uma hora, em meio a especulações de que ela pudesse cometer suicídio. Isso levou a suspeitas de que a ex-procuradora-geral estivesse tentando se desfazer do aparelho devido a possíveis evidências incriminatórias encontradas nele. O jornal israelense afirma que os dados do celular já foram extraídos.
Por sua vez, Baharav-Miara é acusada por figuras políticas da direita de envolvimento no vazamento de informações sobre Sde Teiman. A atual procuradora-geral de Israel teve um papel na supervisão de Tomer-Yerushalmi durante uma investigação anterior supostamente fraudulenta sobre o caso. Baharav-Miara foi afastada do processo, e o Ministro da Justiça, Yariv Levin, busca nomear um investigador externo para supervisionar a investigação, embora uma batalha judicial sobre a identidade do supervisor esteja em andamento.
Segundo a apuração do Haaretz, a equipe de investigação responsável pela extração de material do celular do Procurador Militar ainda não analisou todos os dados, e o processo deverá continuar nos próximos dias. Entretanto, com base nos depoimentos e informações coletadas até o momento, juntamente com as análises iniciais das descobertas no telefone, não há indícios do envolvimento ou conhecimento do Procurador-Geral.
“Quem diz isso, na melhor das hipóteses, não sabe, e na pior, está espalhando mentiras para o público”, disse uma fonte policial que reiterou que a investigação está em andamento.

As suspeitas contra a parlamentar são de falsificação, sabotagem e declaração falsa; a polícia declarou não possuir provas de seu envolvimento
Ordem dos Advogados
Escândalo revela tortura sistemática de detentos palestinos
A Procuradora-Geral Militar das Forças de Defesa de Israel (IDF), Major-General Yifat Tomer-Yerushalmi, renunciou ao cargo em 31 de outubro, cerca de uma hora depois do Ministro da Defesa, Israel Katz, ter tentado demiti-la. Katz afirmou que ela não retornará ao cargo devido à “gravidade das suspeitas contra ela” no vazamento de um vídeo que mostra o abuso de um detento palestino por guardas israelenses.
Segundo o The Jerusalem Post, em sua carta de demissão, ela declarou: “Aprovei o vazamento de provas para a mídia numa tentativa de confrontar a propaganda falsa contra os agentes da lei nas forças armadas. Assumo total responsabilidade por todas as provas que foram enviadas à mídia por esta unidade. Com base nessa responsabilidade, também decidi encerrar meu cargo como MAG”. Dessa forma, a admissão altera o cenário jurídico e político, porque inicialmente ela seria apenas uma testemunha de terceiros, e agora ela pode ser uma ré central.
Sde Teiman é uma base militar no Negev que foi transformada em centro de detenção durante a guerra de Israel na Palestina. Nela, foram detidos palestinos capturados em Gaza sob a Lei de Combatentes Ilegais, que permite a detenção temporária sem ordem judicial. Houve sérias denúncias de abuso no centro de detenção, reportagens de diversos veículos de comunicação descreveram espancamentos, vendamento prolongado dos olhos, falta de assistência médica e outros maus-tratos infligidos aos detentos.
O vídeo, gravado nas instalações de Sde Teiman, foi divulgado em agosto de 2024 pelo veículo israelense, Canal 12 de notícias. Após sua publicação, cinco reservistas das Forças de Defesa de Israel foram acusados de abuso agravado e de prática de tortura contra um detento.
Em 6 de fevereiro, um tribunal das Forças de Defesa de Israel (IDF) condenou um reservista da IDF que abusou de detentos palestinos da Faixa de Gaza em Sde Teiman a sete meses de prisão, na primeira pena de prisão significativa aplicada a um soldado relacionada à guerra.
No caso de abuso sexual de grande repercussão no centro de detenção, cinco soldados foram indiciados em 19 de fevereiro por agressão sexual.
























