Israel admite 70 mil mortes em Gaza, confirmando dados palestinos
Forças Armadas israelenses validam estatísticas do Ministério da Saúde de Gaza sobre genocídio perpetrado por Tel Aviv, durante dois anos de ataques diários
As Forças Armadas de Israel afirmaram nesta quinta-feira (29/01) que pelo menos 70 mil palestinos foram mortos durante sua ofensiva na Faixa de Gaza, reconhecendo, assim, a precisão dos dados do Ministério da Saúde local – algo que entidades como a ONU sempre consideraram confiável.
Segundo o Times of Israel, um oficial de segurança israelense, falando anonimamente, afirmou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) calculam em torno de 70.000 o número de mortos na guerra, que já dura mais de dois anos e teve início após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. O Ministério da Saúde de Gaza contabiliza atualmente 71.667 mortes, incluindo mais de 450 desde o cessar-fogo de outubro de 2025.
Na tentativa de qualificar os números, a mesma autoridade afirmou que a distinção entre vítimas civis e o que Israel classifica como “combatentes” ainda está sob análise.
De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, sua metodologia se baseia em dados rigorosos: 80% das informações vêm diretamente dos necrotérios hospitalares, e os 20% restantes, reportados por familiares, só são incorporados após um processo legal de verificação de evidências.
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Os números, porém, revelam sua própria e brutal dimensão ao detalhar as vítimas mais vulneráveis: cerca de 17 bebês mortos no dia do nascimento, 115 que não completaram um mês de vida e pelo menos 1.054 que morreram antes do primeiro ano.
Os registros, que documentam nomes e números de identificação para mais de 90% dos mortos, não separam civis de combatentes – uma prática padrão em contextos de guerra onde a identificação é impossibilitada pela escala da destruição.
Para analistas e ativistas de direitos humanos, esse reconhecimento tácito da precisão dos dados palestinos é, na verdade, a confirmação involuntária do genocídio perpetrado por Israel em Gaza: dezenas de milhares assassinados, cidades inteiras arrasadas, quase dois milhões de deslocados e uma população submetida à fome.























